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	<title>O Papa-Léguas</title>
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	<description>A magia da viagem em português</description>
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		<title>O Papa-Léguas</title>
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		<title>Médio Oriente ’11 – Dia 12 – Amman</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Jan 2012 11:29:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>papaleguas</dc:creator>
				<category><![CDATA[# Médio Oriente (11/2011)]]></category>
		<category><![CDATA[Jordânia]]></category>

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		<description><![CDATA[22 de Novembro Mais um dia sem fotografias. Absoluto descanso. Depois do dia frenético de ontem, tornava-se indispensável abrandar o ritmo emocional e físico. Hoje havia que tratar do aluguer do carro para o resto da estadia. Gostaria de desenvolver o processo através dos meios habituais, mas o Nael fez grande questão de nos &#8220;ajudar&#8221; [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=papaleguas.wordpress.com&amp;blog=948934&amp;post=3880&amp;subd=papaleguas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>22 de Novembro</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Mais um dia sem fotografias. Absoluto descanso. Depois do dia frenético de ontem, tornava-se indispensável abrandar o ritmo emocional e físico. Hoje havia que tratar do aluguer do carro para o resto da estadia. Gostaria de desenvolver o processo através dos meios habituais, mas o Nael fez grande questão de nos &#8220;ajudar&#8221; e acabei por me render. Pela hora do almoço la fomos negociar o aluguer, numa área de Amman onde se concentram todas as agências. Depois de muita, muita (dispensava esta chatice, estão a ver porque é que preferia simplesmente usar a Internet&#8230;?) discussão e negociação, o negócio ficou fechado. Passariamos por lá mais tarde, pelas seis da tarde, a levatar a viatura e pagariamos 25 Eur por dia, o que não me pareceu um valor nada vantajoso face às propostas impessoais que tinha visto online.</p>
<p style="text-align:justify;">A tarde passou-se na modorra da baixa de Amman. Para cima e para baixo, um pedacito na Limana, uma escapadela até à &#8220;Rainbow street&#8221;, a fazer tempo. O Nael está obcecado com a proximidade dos seus exames. Ele estuda para guia turístico, como de resto o nosso anfitrião para o dia seguinte, em Madaba. Uma bela trupe de amigos arranjámos&#8230; que melhores contactos pode um viajante ter do que estudantes de turismo&#8230;?</p>
<p style="text-align:justify;">Ao final da tarde, na hora combinada, estávamos no apartamento para irmos todos levantar o carro. Processo relativamente pacífico, e em menos de nada estava ao volante pelas ruas de Amman à hora de ponta. Não é complicado. A moda corrente é uma condução ligeiramente mais agressiva do que nas metrópoles portuguesas. O único problema seria conjugar a concentração da condução com necessidades de navegação, mas o Nael, imperioso, sentado ao lado, vai dando as indicações para chegarmos à sua rua.</p>
<p style="text-align:justify;">À noite, como sempre, jantar e serão no Limana. A música local ecoa pela grande sala, onde jordanos de todas as idades se sentam, petiscando, fumando os seus cachimbos de água. Alguns casais namoriscam. Grupos de amigos reuném-se por ali. E depois há o pontual ocidental, que ali pára para respirar uma golfada de ar local. O dia seguinte será empolgante. De carro, pelo país. Na primeira etapa exploraremos a zona do Mar Morto, descendo para Sul até onde o caminho nos levar, para depois voltarmos a subir, por outra estrada, até Madaba, onde pernoitaremos em casa do Fadi.</p>
<p style="text-align:justify;">Esta noite, à mesa, está o Mohammad, um filho do mundo, nascido no Egipto, criado no Kowait, e agora na Jordânia. Éramos para ter ficado com ele, mas o destino decidiu de outra forma. Quisémos mesmo assim conhecê-lo, e ainda bem.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/papaleguas.wordpress.com/3880/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/papaleguas.wordpress.com/3880/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/papaleguas.wordpress.com/3880/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/papaleguas.wordpress.com/3880/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/papaleguas.wordpress.com/3880/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/papaleguas.wordpress.com/3880/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/papaleguas.wordpress.com/3880/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/papaleguas.wordpress.com/3880/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/papaleguas.wordpress.com/3880/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/papaleguas.wordpress.com/3880/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/papaleguas.wordpress.com/3880/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/papaleguas.wordpress.com/3880/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/papaleguas.wordpress.com/3880/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/papaleguas.wordpress.com/3880/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=papaleguas.wordpress.com&amp;blog=948934&amp;post=3880&amp;subd=papaleguas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Médio Oriente ’11 – Dia 11 –  Aleppo, Damasco, Amman</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Jan 2012 11:54:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>papaleguas</dc:creator>
				<category><![CDATA[# Médio Oriente (11/2011)]]></category>
		<category><![CDATA[Jordânia]]></category>
		<category><![CDATA[Síria]]></category>

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		<description><![CDATA[21 de Novembro Um dia sem fotografias. Sempre na estrada, sempre a resolver problemas. As coisas não começaram mal. À hora marcada, ainda o sol não se tinha levantado, pegar nas mochilas previamente preparadas e descer as escadas, passando pela recepção em bicos de pés para não acordar o simpático funcionário do Ahmed que, como [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=papaleguas.wordpress.com&amp;blog=948934&amp;post=3877&amp;subd=papaleguas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><strong>21 de Novembro</strong></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Um dia sem fotografias. Sempre na estrada, sempre a resolver problemas. As coisas não começaram mal. À hora marcada, ainda o sol não se tinha levantado, pegar nas mochilas previamente preparadas e descer as escadas, passando pela recepção em bicos de pés para não acordar o simpático funcionário do Ahmed que, como sempre, dorme no sofá, pronto a acorrer à chegada de um qualquer cliente inesperado. Depois, lidar com um taxista, a rotina usual: o taximetro que não funciona (para os estrangeiros, raramente funcionam), discutir uma taxa fixa. Por um lado este expediente não é mau. Chegado a um acordo sabemos pelo menos que não vamos ser levados pelos quatro cantos da cidade de forma a aumentar o valor da corrida. O valor a pagar pode ser inflacionado à luz dos padrões locais, mas é sempre uma pechincha, mesmo assim.</p>
<p style="text-align:justify;">Na estação de autocarros. Temos sorte. Vai sair agora mesmo um. O tipo quer-nos impingir bilhetes para o próximo, que parte ao meio-dia. É tanga. Ele ainda tem dois bilhetes para o que queremos, mas pensa que pode enfiar o barrete aos turistas, ir já adiantando vendas e guardar aquele par para um qualquer cliente sírio que chegue nos próximos minutos. Quando lhe viramos as costas, os bilhetes que queremos aparecem logo. Excelente. Como são os últimos, correspondem ao melhor lugar, mesmo à frente, com vista panorâmica. Como para cá, também para lá seguimos num autocarro de luxo, com poltronas super confortáveis e espaçosas. Viajar de uma ponta à outra da Síria custa 4 Eur, e é por ser naqueles autocarros de luxo, porque num normal seriam 2 Eur. O sistema de camionagem no país é algo complexo, porque existem diversos operadores a efectuar as mesmas ligações, e se for caso disso há que visitar vários escritórios para obter o que queremos.</p>
<p style="text-align:justify;">A viagem corre célere, não se dá pelo tempo passar. São quatro horas, mas não se instala o tédio. Mesmo passando pelos postos de controle habituais chegamos a Damasco num instante. Recomeça a dança com os taxistas. Temos que seguir para um local específico, de onde partem os táxis partilhados para Amman. É um ponto na rua, onde alguns carros aguardam clientes, com um escritório discreto onde os condutores aguardam e onde o dinheiro passa de mãos. Um taxista concorda em nos levar lá por um preço aceitável. Mas ele tem outras ideias em mente: comissão! Pelo caminho faz um telefonema. Percebemos que fala de nós. Ouvimos as palavras &#8220;Amman&#8221; e &#8220;Portugal&#8221;. Mais à frente, numa rotunda, o táxi pára e um tipo diz-nos que nos vai levar para Amman. Ainda lhe pergunto quanto será antes dele entrar, mas finge não ouvir.</p>
<p style="text-align:justify;">Pelo caminho paramos para o novo passageiro se abastecer de chá. Há mais telefonemas, de novo sobre o assunto que nos interessa. Quando chegamos ao local, percebemos que o tipo não é um condutor mas sim um intermediário&#8230; mais um. Leva-nos até um táxi que está de partida para Amman.  O primeiro valor que nos pedem é absurdo. 100 USD. Não queremos pagar mais do que 12 Eur por pessoa, o preço justo para um táxi partilhado. Depois de muita discussão, chegamos a um ponto pacífico. Ele desce o preço até um valor mais do que justo mas que mesmo assim não nos serve: é que não há mais gente com que partilhar a viagem, por isso teríamos que pagar a totalidade do espaço. Não pode ser. Nem queremos gastar essa quantia nem tão pouco a temos. Começo a ficar nervoso. Só há mesmo este meio de chegar à capital da Jordânia, faz-se tarde, e senão aparecerem mais parceiros estamos tramados.</p>
<p style="text-align:justify;">De repente, dá-se um pequeno milagre. O angariador pergunta-nos de onde somos. De Portugal. E tudo muda. O sorriso automático de quem deve sorrir para ganhar a vida transforma-se. Agora, vai de orelha a orelha e assume feições de uma sinceridade indesmentível. O homem está apaixonado por Portugal e pelos portugueses, em muito devido ao futebol, mas também pela nossa neutralidade política. Ganhámos ali naquele momento um amigo, que de repente está a discutir os melhores preços e condições em nosso nome, com uma ferocidade inigualável. Faz telefonemas, corre aqui e ali. Pega numa das nossas mochilas e põe-na às costas, só para ajudar nas andanças. E de tempos a tempos vira-se com aquele sorriso e enaltece Portugal mais um pouco. Foi a nossa salvação. Manda-nos esperar no escritório e pagar practicamente o que queriamos. Arranjou-nos um táxi que vai levar mais uma pessoa, e portanto, apesar de ser mais um pouco, safamo-nos com 24 Eur cada. Depois, desaparece.</p>
<p style="text-align:justify;">Uma meia-hora depois entra pela porta e diz-nos para pegarmos nas mochilas, vamos partir. Leva-nos para o outro lado da rua, com todos os cuidados e gentilezas, explicando tudo o que se vai passando e o que já se passou. E pronto, estamos no táxi. A nossa companheira de viagem é uma senhora de meia-idade, para o baloufo, toda embonecada, que obviamente é uma velha amiga do condutor. Ela fala um pouco de inglês e faz-nos as perguntas de ocasião.</p>
<p style="text-align:justify;">Mais à frente paramos num armazém onde ambos se abastecem de tudo e mais alguma coisa, quase enchendo a bagageira do carro. E nisto estamos na fronteira, que é sempre um elemento de tensão, sobretudo na Síria. Passamos os trâmites sem problemas. Os diversos níveis de controle são ultrapassados, é paga a taxa de saída, recebemos os carimbos, e estamos já na terra de ninguém, onde existem as lojas tax free. Os nossos amigos são consumistas inveterados e quando o condutor nos vê entrar também na loja, onde iamos só espreitar, exulta! Mete-me na mão um saco cheio de volumes de tabaco, pede-me para esperar no carro e vira-me as costas, certamente para se abastecer de dose igual.</p>
<p style="text-align:justify;">Muito tempo depois vimos chegar os foliões das compras. Arranjam e organizam tudo o que trouxeram, sobretudo tabaco e garrafas de whisky. E então, quando já estamos dentro do carro, o tipo ajoelha-se, abre qualquer coisa no carro, perto da roda, e esconde uma porção de mercadorias. Mau! Querem ver que passámos pela fronteira síria para ir de choça no lado jordano!? Mas não. Lá pagamos o que há a pagar, novo visto no passaporte e já estamos a rodar na Jordânia. Alívio! Há uma tensão na Síria que não se consegue explicar por palavras, mas que mexe com os nervos de forma indelével mas permanente. Estar na Jordânia oferece um sentimento de segurança reconfortante. Naquele país, &#8220;não se passa nada&#8221;, é como estar em casa.</p>
<p style="text-align:justify;">Com tudo aquilo, a noite chega de novo. A nossa amiga é deixada em casa de familiares, numa cidade dos arredores de Amman. E depois chega a nossa vez. Como sempre tem sucedido nestas abordagens às grandes cidades vindos do exterior, somos deixados num local que desconhecemos, entregues à nossa sorte. &#8220;Center here, bye&#8221;. E pronto, o nosso taxista desaparece na multidão de carros que à hora de ponta preenche as ruas da capital jordana. E agora? O GPS não quer colaborar. Olha&#8230; o que é aquilo, mesmo ali defronte? Uma loja de telecomunicações? Talvez seja boa hora para comprar o nosso SIM card para os próximos dias.</p>
<p style="text-align:justify;">Sentado à mesa de atendimento, um homem jovem, com roupagem e barba em perfeita sintonia com o nosso arquétipo de terrorista islâmico. Ai que vamos ter problemas. O gajo vai dizer que não atende ocidentais ou algo do género! E não é que se passou o oposto!? Que simpatia de rapaz! Fez tudo para nos ajudar. Explicou-nos as condições do serviço, com todas as suas nuances. Deu-nos tempo para decidir o que se ajustava melhor às nossas necessidades. Ofereceu-nos chá. Perdeu um tempão a processar o nosso pedido, a telefonar para desbloquear o SIM que nos vendeu, a certificar-se que tudo estava a funcionar correctamente antes de nos deixar ir. E ainda nos deu conselhos sobre como chegar ao nosso destino. Onde apanhar táxi, quanto aceitar pagar. A loja, como se viu posteriormente, tinha um público triste. Aquele devia ser um bairro pobre, e os homens que entravam e saiam iam ali fazer telefonemas para as famílias, sabe-se lá em que paragens distantes deixadas para trás, trocadas pelo sonho de ir para a grande cidade ganhar uma vida melhor. Mas todos nos sorriam com simpatia, curiosos, sem hostilidade, com aquela aparição inusitada na &#8220;sua&#8221; loja. Experiência brilhante!</p>
<p style="text-align:justify;">E pronto. Em menos de nada estávamos em casa. Foi uma alegria! Os nossos amigos jordanos adoraram ver-nos de volta, sãos e salvos, vindos da terra onde, segundo eles crêem, se comem crianças ao pequeno almoço e turistas como refeição principal.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois de um dia de tanta tensão, fomos para a rua, andámos até à &#8220;Rainbow Street&#8221;, o centro de ocidentalidade de Amman. Queriamos um local com acesso Internet, procurámos um cyber café que tinhamos visto aquando da nossa primeira passagem por ali, mas não o encontrámos. Um mistério que perdurará para sempre: o estabelecimento era enorme, de dois andares, do lado esquerdo, e apesar da rua não ser assim tão longa, fizemos duas passagens e não o vimos. Foi como se se tivesse desvanecido, engolido pela terra. Conformados, voltámos ao Caffe des Artistes, que de qualquer modo tão bem nos tratou no outro dia. Passámos ali uma hora de descontração, antes de regressarmos ao nosso território natural.</p>
<p style="text-align:justify;">O serão passou-se, como sempre, no bom Limana, o nosso café de eleição em Amman. Quando entrámos, demos de cara com o empregado egípcio que tantas vezes nos atendeu, e vimos a sua face iluminar-se de alegria. Exclamou: &#8220;You are back!&#8221;. Ao fim de alguns dias a ir ali, já faziamos parte da casa.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/papaleguas.wordpress.com/3877/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/papaleguas.wordpress.com/3877/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/papaleguas.wordpress.com/3877/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/papaleguas.wordpress.com/3877/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/papaleguas.wordpress.com/3877/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/papaleguas.wordpress.com/3877/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/papaleguas.wordpress.com/3877/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/papaleguas.wordpress.com/3877/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/papaleguas.wordpress.com/3877/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/papaleguas.wordpress.com/3877/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/papaleguas.wordpress.com/3877/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/papaleguas.wordpress.com/3877/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/papaleguas.wordpress.com/3877/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/papaleguas.wordpress.com/3877/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=papaleguas.wordpress.com&amp;blog=948934&amp;post=3877&amp;subd=papaleguas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Médio Oriente ’11 – Dia 10 – Palmyra, Aleppo</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jan 2012 12:15:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>papaleguas</dc:creator>
				<category><![CDATA[# Médio Oriente (11/2011)]]></category>
		<category><![CDATA[Síria]]></category>

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		<description><![CDATA[20 de Novembro Na véspera, uma tarefa que se adivinhava espinhosa acabou por ser mais simples do que o esperado: convencer o cabeçudo e apressado do nosso motorista a sairmos apenas ao meio-dia. Já tinhamos percebido que a intenção dele era pôr-se a andar pelas 10 horas. Fora de questão. Assim, com o recepcionista do [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=papaleguas.wordpress.com&amp;blog=948934&amp;post=3831&amp;subd=papaleguas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>20 de Novembro</strong></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3835" title="palmyra-01" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/palmyra-01.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Na véspera, uma tarefa que se adivinhava espinhosa acabou por ser mais simples do que o esperado: convencer o cabeçudo e apressado do nosso motorista a sairmos apenas ao meio-dia. Já tinhamos percebido que a intenção dele era pôr-se a andar pelas 10 horas. Fora de questão. Assim, com o recepcionista do hotel no papel de intérpetre, apresentámos as nossas condições, com poucas esperanças que fossem aprovadas sem grande luta. Mas afinal foi isso que aconteceu. Ao meio-dia? Ok. Pronto. Não se fala mais nisso.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3859" title="palmyra-02" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/palmyra-021.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3860" title="palmyra-03" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/palmyra-031.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Quis acordar com o sol para aproveitar aquelas horas de Palmyra. Quando cheguei às primeiras ruínas, logo em frente ao hotel, ainda as sombras se estendiam. De novo, ninguém à vista. Foi tempo de calcorrear os arruamentos construidos há milhares de anos, posar na escadaria onde a rainha Zenobia é representada nas pinturas glorificadoras da grandeza da Síria, ao lado de Saladino e de outras figuras associadas ao poder da cultura local.</p>
<p style="text-align:justify;">Ainda se pensou em ir lá acima, ao castelo árabe, que domina o vale onde a antiga cidade de Palmyra foi erigida, mas a subida ingreme que se avizinhava e a gestão do tempo acabaram por nos fazer colocar de lado essa ideia. Mas aventurámo-nos pelas colinas que antecipam essa, maior, onde a fortaleza se encontra, e com isso fomos premiados com uma assombrosa perspectiva geral da grandeza de Palmyra.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3861" title="palmyra-04" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/palmyra-041.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3862" title="palmyra-05" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/palmyra-051.jpg?w=500" alt=""   /><br />
<img class="alignnone size-full wp-image-3874" title="palmyra-17" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/palmyra-171.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3852" title="palmyra-18" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/palmyra-18.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Um dos elementos que mais me impressionou foi o complexo de tumbas que se estende a perder de vista. São pequenas torres, que parecem não ter uma relação civilizacional com a cidade que se encontra nas nossas costas, mais semelhante com uma metropolis romana. Depois, ao apanhar no mesmo enquadramento alguns traços da cidade, as tumbas e o castelo árabe, a imagem fica completa. Parecem três mundos distintos, colocados no mesmo local através de artes mágicas.</p>
<p style="text-align:justify;">Lá em cima o sol brilha. É o primeiro dia na Síria onde usufruimos de tempo quase perfeito. E, ironicamente, é também o último dia no país. Custa a acreditar que se passou quase uma semana. Que depois de amanhã, se tudo correr bem, dormiremos já na Jordânia.</p>
<p style="text-align:justify;">Entretanto chegou a hora de nos despedirmos de Palmyra. Ainda falta um bom bocado para a partida, mas basicamente já nos deliciámos na conta certa com este local avassalador. Tivemos ainda tempo de rondar o templo de Bal, um dos cinco pontos cujo acesso é pago, e de meter o nariz no edíficio que foi antes o museu etnográfico, cujas colecções foram entretanto transferidas para o museu principal. Este forte vindo de um filme à Lawrence da Arabia foi usado pelos franceses como prisão, e hoje é o centro de visitantes. Um nome algo pomposo, porque não existe nada lá. As salas estão vazias, despidas do património que migrou para o museu maior, e o recepcionista não se preocupou muito com a nossa entrada nas instalações. Fica a referência para uma emergência: trata-se de um bom local para usar uma casa de banho pública e gratuita.</p>
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<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3863" title="palmyra-06" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/palmyra-061.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3853" title="palmyra-19" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/palmyra-19.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
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<p style="text-align:justify;">Nesta manhã em Palmyra fomos assediados por duas pessoas decididas a fazer algum dinheiro conosco. Quando trepávamos as colinas, veio até nós um habitante local, de motocicleta, convidando-nos para um chá em sua casa. Não foi feita menção a negócio, mas infelizmente a hospitalidade desinteressada que é uma característica síria parece ter-se já perdido em Palmyra. Depois, saido de um casebre construido encostado à periferia da cidade antiga, saiu um homem cheio de sorrisos e boas falas, que nos abordou com a gentileza habitual, enquanto gesticulava para que a mulher se apressasse com o mostruário. Conseguimos afastar-nos antes da chegada da pilha de lenços e tapetes.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas é preciso assinalar a diferença que a crise política na Síria e o consequentemente afastamento de turistas teve na experiência de uma visita a Palmyra. Li que em tempos normais o assédio a que o visitante era submetido roçava o escandaloso, com enxames de vendedores de lenços e tapetes, de gente oferecendo passeios de camelo, serviços de guia e tudo o mais o que pudesse vagamente ser vendável a um turista. O templo de Bal seria o epicentro deste frenesim, mas das duas vezes que lá passámos, não vimos vivalma. Sem turistas a horda de vendedores afastou-se, teve que procurar outras actividades.</p>
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<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3865" title="palmyra-08" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/palmyra-081.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3864" title="palmyra-07" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/palmyra-071.jpg?w=500" alt=""   /><br />
<img class="alignnone size-full wp-image-3866" title="palmyra-09" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/palmyra-091.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3867" title="palmyra-10" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/palmyra-101.jpg?w=500" alt=""   /></p>
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<p style="text-align:justify;">Chegámos ao hotel com uma boa margem de tempo para uma partida descontraída. Foi tempo de ir lá acima buscar as mochilas, retornar à recepção, almoçar um bom humus e pagar. Eram cerca das 11 e 30 quando nos fizémos à estrada.</p>
<p style="text-align:justify;">A viagem até Aleppo decorreu sem incidentes. Logo à saída de Palmyra, o primeiro &#8220;checkpoint&#8221;. O polícia que se aproximou do carro estende-me a mão para um bom aperto. A mão é uma forma de dizer, porque o homem tinha uma pata digna de urso. Se lhe apetecesse dar-me um chapadão, era um vôo de alguns metros garantidos. Mas não havia razões para isso. Como quase todos os outros que nos foram abordando nestas andanças, ficou encantado por ter por ali estrangeiros, e ainda por cima de Portugal. Não quis saber dos passaportes para nada. Apenas dois dedos de conversa e boa viagem.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3868" title="palmyra-11" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/palmyra-111.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3856" title="palmyra-22" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/palmyra-22.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3857" title="palmyra-23" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/palmyra-231.jpg?w=500" alt=""   /></p>
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<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">A rotina repetiu-se algumas vezes. Com o sol a brilhar a presença militar tornou-se mais visivel. De novo os blindados BMP-1, os atiradores nos telhados, as posições de prevenção em múltiplos pontos à beira da estrada, o controle apertado à entrada de cada aldeia&#8230; e colunas militares, em trânsito. Mas tudo isto, para nós, não passava de aparato. A única interacção eram mesmo as verificações, que nos pararam 3 ou 4 vezes até chegarmos a Aleppo.</p>
<p style="text-align:justify;">Pagámos ao condutor e entrámos no hotel. Foi como regressar a casa. O Ahmed pareceu genuinamente feliz de nos ver regressar, como se tivéssemos outra hipótese. E o mesmo sucedeu com o empregado arménio que o ajuda a manter o estabelecimento em funcionamento. Seriam umas 5 quando chegámos, e havia algum tempo para repousar antes da festa dessa noite.</p>
<p style="text-align:justify;">À hora combinada chegámos à recepção e já estava cheia de gente. Quase todos já nossos conhecidos, como que velhos amigos. Uma das novidades era um casal ocidental, que o Ahmed, por assim dizer, recolheu das ruas. Estes holandeses estavam a caminho da África do Sul, por terra. Andavam a &#8220;vaguear&#8221; por Aleppo e o nosso amigo meteu conversa com eles, como faz com todos os poucos forasteiros que por aqui vão aparecendo.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3869" title="palmyra-12" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/palmyra-121.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3870" title="palmyra-13" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/palmyra-131.jpg?w=500" alt=""   /><br />
<img class="alignnone size-full wp-image-3871" title="palmyra-14" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/palmyra-141.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3872" title="palmyra-15" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/palmyra-151.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Tempo de embarcar e partir para o restaurante-discoteca onde a festa terá lugar. Para a ocasião temos um mini-bus só para nós, quase literalmente, porque com tanto carros particulares apenas o Gary partilha esta viatura conosco. Quando chegamos o ambiente é constrangedor. Apenas nós nos encontramos na enorme sala, e sentamo-nos numa mesa corrida. Os vizinhos do lado falam mal inglês mas ficam deliciados com a minha nacionalidade, como sempre sucedeu na Síria. Mais tarde, com o correr do alcóol, as inibições com a linguagem começam a cair e a conversa torna-se mais interessante. Mas infelizmente temos que sair quando a festa começa efectivamente a animar. O enorme salão já está quase cheio, e os locais começam a animar o ambiente, dançando na pista. Despedimo-nos destes bons amigos. No dia seguinte a partida para Damasco é bem cedo. Os rapazes que estavam ao meu lado levam-nos ao hotel. Claro. Como sempre sucedeu na Síria, nunca nos deixaram encontrar o caminho para casa sozinhos.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3873" title="palmyra-16" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/palmyra-161.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
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<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/papaleguas.wordpress.com/3831/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/papaleguas.wordpress.com/3831/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/papaleguas.wordpress.com/3831/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/papaleguas.wordpress.com/3831/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/papaleguas.wordpress.com/3831/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/papaleguas.wordpress.com/3831/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/papaleguas.wordpress.com/3831/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/papaleguas.wordpress.com/3831/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/papaleguas.wordpress.com/3831/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/papaleguas.wordpress.com/3831/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/papaleguas.wordpress.com/3831/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/papaleguas.wordpress.com/3831/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/papaleguas.wordpress.com/3831/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/papaleguas.wordpress.com/3831/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=papaleguas.wordpress.com&amp;blog=948934&amp;post=3831&amp;subd=papaleguas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Médio Oriente ’11 – Dia 9 – Aleppo, Serjilla, Crac des Chevaliers, Palmyra</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Jan 2012 22:41:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>papaleguas</dc:creator>
				<category><![CDATA[# Médio Oriente (11/2011)]]></category>
		<category><![CDATA[Síria]]></category>

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		<description><![CDATA[19 de Novembro Dia grande desta viagem. Na realidade, o dia maior. Em número de horas, em locais visitados, em intensidade. Às 7:00 o nosso condutor estava na recepção. Um homem nos seus cinquenta e muitos, atarracado, com ligeiros toques de gangster. De poucas falas, inglês mais do que rudimentar.  Chovia quando acordei e quando [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=papaleguas.wordpress.com&amp;blog=948934&amp;post=3781&amp;subd=papaleguas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><strong>19 de Novembro</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3788" title="taxi-01" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-01.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align:justify;">Dia grande desta viagem. Na realidade, o dia maior. Em número de horas, em locais visitados, em intensidade. Às 7:00 o nosso condutor estava na recepção. Um homem nos seus cinquenta e muitos, atarracado, com ligeiros toques de gangster. De poucas falas, inglês mais do que rudimentar.  Chovia quando acordei e quando abandonámos Aleppo a precipitação ganhou contornos de dilúvio. Sigo de semblante carregado. Não quero acreditar que o dia mais desejado irá ser estragado pelas condições metereológicas.</p>
<p style="text-align:left;"><img class="alignnone size-full wp-image-3789" title="taxi-02" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-02.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3790" title="taxi-03" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-03.jpg?w=500" alt=""   /><br />
<img class="alignnone size-full wp-image-3791" title="taxi-04" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-04.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3792" title="taxi-05" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-05.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">Depois de rodar mais de uma centena de quilómetros na estrada principal, que liga Aleppo a Damasco, o condutor interna o carro numa aldeia. Sob a chuva que não pára de cair os militares abrigam-se. Os veículos blindados estão cobertos, discretos. Na povoação vejo pela primeira vez uma outra Síria, bem mais pobre, rural. As crianças semi-despidas, as ruas esburacadas, as casas revelando anos a fio de improvisos estruturais. É ali, naquele momento, que confirmo que nunca poderia ter percorrido os caminhos que passámos naquele dia sem a ajuda de um local. Sob os olhares prescrutantes dos soldados sentados à porta dos seus contentores feitos habitação.  Estamos muito perto das cidades problemáticas, zonas interditas aos estrangeiros nos dias que correm.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3793" title="taxi-06" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-06.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align:justify;">A aldeia ficou para trás, circulamos agora por uma estrada sinuosa mas plana, com uma paisagem estranhamente verde de ambos os lados. A chuva começa a abrandar, e nisto já não cai. Chegamos a Serjilla. Se existem milagres, naqule momento deu-se um. Depois de horas a chover copiosamente, no momento em que o carro se detém à entrada desta cidade perdida, as gotas de água cessam. Estão reunidas as condições ideais para visitar o lugar: céu cinzento e humidade sem chuva. Exactamente o cenário em que imaginaria conhecer Serjilla!</p>
<p style="text-align:justify;">Esta talvez a mais significativa das muitas <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Dead_Cities" target="_blank">cidades perdidas</a>, vestígios de uma presença bizantina na região que desapareceu um dia, sem causas evidentes. Não é, na realidade, uma cidade. Ocupa a área  de uma aldeia de médias dimensões, com as ruínas a estenderem-se num terreno com algumas elevações. Com os edíficios ainda de pé, não é complicado imaginar-se a vida que um dia ali existiu. A pedra das casas e igrejas ganhou um tom avermelhado, com a lama e os resíduos argilososos do terreno.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3794" title="taxi-07" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-07.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3795" title="taxi-08" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-08.jpg?w=500" alt=""   /><br />
<img class="alignnone size-full wp-image-3796" title="taxi-09" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-09.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3797" title="taxi-10" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-10.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">Vagueei fascinado por aquele local fantasma, fotografando sem parar. O condutor tinha-nos dado meia-hora para explorar. Dos 30 fiz 45 minutos e mesmo assim foi pouco. Poderia passar o dia ali. talvez noutros tempos Serjilla se encontrasse repleta de turistas. Mas não agora. Nem sequer se encontra no local o funcionário encarregue de vender os bilhetes. É como se esta &#8220;cidade&#8221; tivesse sido duplamente abandonada. Primeiro, pelos seus habitantes originais, e agora, pelos visitantes.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3798" title="taxi-11" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-11.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align:justify;">A viagem até ao <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Crac_des_Chevaliers" target="_blank">Crac des Chevaliers</a> fez-se sem precalços. Ao longo de todo o caminho a presença militar tornou-se mais evidente.  Viaturas blindadas posicionadas em pontos estratégicos, checkpoints, atiradores nos telhados, abrigos feitos com sacos de areia. Alguns dos militares estão razoavelmente equipados, enquanto outros, provavelmente mílicias ou polícias, assemelham-se mais com elementos de bandos armados. Tinham-nos contado que as autoridades, depois de terem anunciado a retirada do exército das cidades em alvoroço tinham mandado pintar de azul os blindados. E pronto. Já não é o exército. De azul, é a polícia. E debaixo de umas árvores, num acesso à via principal, vi uma destas mutantes viaturas estacionada.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3799" title="taxi-12" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-12.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align:justify;">Nunca me deixei de surpreender pelo desconhecimento geral, entre as pessoas com quem conversei em Portugal,  do Crac des Chevaliers. Estamos perante um dos mais bem preservados castelos do mundo medieval, património UNESCO, e figura de proa do turismo sírio. A sua silhueta imponente surgiu de repente, quando menos esperava, porque os castelos supostamente são construidos nos pontos mais altos e este não. O condutor parou o carro, para mais um dos seus inesgotáveis cigarros, fazendo-nos sinais que era altura de tirar fotografias. De facto o local oferecia a melhor perspectiva do grande castelo, de uma distância razoável e de um posição mais elevada. Mas a luz não era a melhor. Se exultei com o céu cinzento que envolvia Serjilla, já o Crac des Chevaliers seria mais bem visitado sob um resplandecente sol de Primavera.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3800" title="taxi-13" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-13.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3801" title="taxi-14" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-14.jpg?w=500" alt=""   /><br />
<img class="alignnone size-full wp-image-3802" title="taxi-15" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-15.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3803" title="taxi-16" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-16.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">Pago o bilhete (já não me recordo do valor, mas muito baixo, talvez 1 ou 2 Euros), entrámos. Um dos homens que se encontrava na bilheteira seguiu-nos de imediato, propondo os seus serviços de guia encartado. Disse que não, claro. Mas ele manteve-se conosco, explicando aquilo e acoloutro, chamando a atenção para os números fantásticos, para este ou aquele aspecto da história do castelo. Tive que lhe dizer, de forma mais clara, que de facto preferia descobrir este tipo de locais sozinho. Ele retorquiu que o castelo era tão vasto que sem um guia iria perder muitas coisas, mas acabou por se convencer. Não tinham passado dois minutos quando nos surge um outro guia. De novo, explicar que preferia estar sozinho. Mas este teve uma abordagem diferente e inesperada. Disse-me que dinheiro não era problema, se eu não queria pagar, ele fazia uma visita de uma hora de borla. Evidente que só a ideia de ser escoltado por um guia me dá calafrios. Se necessário fosse, poderia até abrir os cordões à bolsa para estar SOZINHO. Mas o tipo não me deixou de fazer uma certa pena. Será que faria mesmo aquela visita sem esperar uma retribuição, ou estaria a apostar num amolecimento do meu coração. Se, como ele me disse, não iam turistas ao castelo há mais de 45 dias, então não me espantaria que estivesse disposto a trabalhar gratuitamente só para desenferrujar o seu inglês e falar com gente diferente.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3804" title="taxi-17" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-17.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align:justify;">Devo ser honesto: o Crac foi, na sua globalidade, decepcionante. Não que não seja interessante e grandioso, simplesmente as minhas expectactivas estão elevadas demais. O dia cinzento também não ajudou, e quando se aproximou a hora de partir (para esta visita o Adolf sírio deu-nos três horas, o que foi a conta certa) recomeçou mesmo a chover.</p>
<p style="text-align:justify;">Explorar o castelo foi passar por salas e salas vazias, descer escadas de pedra húmida e escorregadia, espreitar a vista que inclui a pequena cidade nas imediações. Depois, no sector central (na realidade, como tantos outros castelos, o Crac está estruturado em níveis defensivos, mais compactos há medida que se caminha para o seu interior), alguns elementos mais interessantes, como a grande capela e os claustros. Sobretudo dececpionou-me a monotonia. Os sectores são previsiveis. Torres, ameias, passagens, escadas, salas e&#8230; torres, ameias, passagens, escadas, salas. Faz falta o factor surpresa.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3805" title="taxi-18" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-18.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3806" title="taxi-19" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-19.jpg?w=500" alt=""   /><br />
<img class="alignnone size-full wp-image-3807" title="taxi-20" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-20.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3808" title="taxi-21" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-21.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">A viagem do Crac para Palmyra foi longa mas agradável, adornada por uns quantos checkpoints, onde os militares e polícias de serviço se abstiveram de colocar problemas, sobretudo depois de se aperceberem que éramos estrangeiros. Nem os passaportes lhes interessaram de sobremaneira e apenas um lhes deu uma vista de olhos sumária. Noutra ocasião, depois de te lhe terem sido entregues, um polícia perdeu-se na conversa com o nosso condutor e conosco, devolvendo-os sem qualquer verificação.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3809" title="taxi-22" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-22.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align:justify;">A determinado momento abandonámos aquele eixo viário principal. Era o desvio para <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Palmyra" target="_blank">Palmyra</a>, cujo nome moderno é Tadmour. Seguiram-se dezenas de quilómetros por uma estrada larga e excelentes condições que cruza ali o deserto. Afastados do caldeirão explosivo de Homs e Hama a presença militar desvaneceu-se. Apesar de termos passado junto a algumas instalações do exército e a uma base da força aérea, mas essas, por assim dizer, sempre lá estiveram.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3810" title="taxi-23" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-23.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3811" title="taxi-24" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-24.jpg?w=500" alt=""   /><br />
<img class="alignnone size-full wp-image-3812" title="taxi-25" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-25.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3813" title="taxi-26" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-26.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">O céu estava espectacular. Nalguns sectores apresentava-se escuro como breu, não sendo de espantar que de tempos a tempos um pesado aguaceiro se abatesse sobre nós. Noutros quadrantes já começava a abrir e o sol sorria a tempos, criando múltiplos arco-iris. Foi com este cenário que avistámos o castelo árabe que se ergue junto a Palmyra. Do lado de onde nos aproximámos foi a primeira coisa a surgir, com a sua colina a tapar a visão para a cidade, como que lhe estendendo um manto protector.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-3815" title="taxi-28" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-28.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-3814" title="taxi-27" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-27.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align:justify;">O nosso condutor tinha horror a conduzir de noite, dai o controle apertado sobre o tempo que tinhamos disponível. Isso já me tinha aborrecido um pouco, mas quando ele anunciou que nos ia levar para um hotel à sua escolha, deixando magigamente de compreendetr inglês quando tentei dizer que não, a coisa começou a chatear-me a sério. Foi o momento baixo desta viagem. O Ahmed tinha-lhe dado instruções específicas para onde nos levar, e tinha até combinado tudo com um determinado hotelzinho económico. Era para lá que queria ir, claro, confiando inteiramente na escolha do nosso novo amigo.  Quem acabou por pagar por esta tensão foi o pessoal do Citadel Hotel, o que, como depois se verificou, foi injusto. Não podiamos ter ficado melhor entregues: com comissão ou sem comissão, o preço foi uma pechincha, 6 ou 7 Eur a cada um; o quarto era modesto, claro, mas nada mau pelos padrões da região, e muito espaçoso com vista sobre as ruínas; a localização era simplesmente a melhor possível&#8230; ali nenhum hotel fica verdadeiramente longe das ruínas mas estou em crer que este era o mais próximo da entrada principal; e depois&#8230; depois nada&#8230; o hotel era simplesmente simpático e o seu pessoal atencioso. Gostei de tudo, no final de contas.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3816" title="taxi-29" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-29.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3817" title="taxi-30" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-30.jpg?w=500" alt=""   /><br />
<img class="alignnone size-full wp-image-3818" title="taxi-31" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-31.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3819" title="taxi-32" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-32.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">Instalados, esclarecidos quanto aos complexos complexos procedimentos para se obter água quente no duche (abrir as torneiras todas, desde que entre as 9 e as 10 e as 17 e as 18 horas, esperar que a água quente chegue, fechar as torneiras excepto a do chuveiro) pude saciar a fome que me atormentou todo o dia. O pequeno ditador recusou-se a parar onde quer que fosse para que pelo menos pudesse comprar algo para trazer e trincar. Mas no hotel encomendei uma fenomenal espetada, servida com todo o rigor que me soube como só a comida sabe a quem está esfomeado. Ainda restava algum tempo com luz do dia e saimos para explorar.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3820" title="taxi-33" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-33.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3821" title="taxi-34" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-34.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">Primeiro, fomos dar uma grande volta. Seguimos a rua que se inicia mesmo em frente ao hotel, e em vez de a seguirmos, naquilo que seria a penetração perfeita na área das ruínas, rodeámos pela direita a muralha primordial, que, na minha ignorância, tomei como um muro relativamente recente. Antes, passámos pelo edíficio do museu e por uma rotunda alagada, que ultrapassámos a custo. Neste bocadinho, todos os homens que se deslocavam de motocicleta, e que eram muitos aquela hora, nos prestaram todo o tipo de atenção: uns simplesmente observavam, outros sorriam, e os mais atrevidos gritavam desejos de boa estadia em Palmyra. Um parou, apresentou-nos o salão de chá de um amigo (na realidade, acho que era dele), palrou, falou e falou, querendo que fôssemos até lá tomar qualquer coisa, que nos levava na mota e mais isto e aquilo. Acabou por se satisfazer com a promessa de uma visita para mais tarde, que nunca veio a acontecer, apesar de o tornarmos a encontrar duas vezes durante o passeio, em locais diferentes e a horas bem distintas.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3822" title="taxi-35" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-35.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3823" title="taxi-36" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-36.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">Aquele pessoal decididamente adora motocicletas. Mesmo nas ruínas os trilhos são sulcados por esta frota infindável de motocicletas. Gostaria de salientar que a entrada na cidade antiga, na capital da antiga civilização de Palmyra, é gratuita. Não existem muros ou vedações, bilheteiras ou funcionários. Aquela metrópole em ruínas está ali desde tempos quase imemoriais, e como sempre, quem quiser entrar e explorar só terá que caminhar a seu gosto.</p>
<p style="text-align:justify;">E foi o que fizémos, tornando aquele final de tarde e início de noite num daqueles momentos mágicos que no final de tudo perduram na memória, tornando-se símbolos de uma viagem, de uma vida de viagens. A noite caiu enquanto descobriamos Palmyra, e à medida que a luz se desvanecia o céu mudou de temperamento. O cinzento plúmbeo que antes dominava deu lgar ao azul, prometendo um dia seguinte luminoso e feliz. A iluminação do castelo, lá em cima, acendeu-se, e de seguida foram as lâmpadas verdes que durante a noite projectam a sua luz sobre as tumbas, e, por fim, os projectores amarelos que destacam as colunas de entrada na grande avenida de Palmyra. E enquanto tudo isto sucedia, estávamos lá. Sozinhos, sentindo que não poderíamos estar mais seguro. A perspectiva de alguém ser incomodado ali, molestado seja de que forma for, é tão remota que é como se não existisse. O &#8220;pior&#8221; que sucedeu foi a abordagem da pequenita Sophia, uma menina de uns nove anos que certamente se habituou aos turistas que noutras anos por ali abundaram. Pediu qualquer coisa, mas não tinhamos nada para lhe dar. Pediu uma caneta, uma guloseima, qualquer coisa, mas não havia mesmo nada que pudesse ser deixado como uma prendinha para a Sophia que, sem pedinchices nem insistências, compreendeu e voltou a correr para o acampamento de onde saiu.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3787" title="taxi-37" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/taxi-37.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align:justify;">Depois daquele passeio abençoado andámos ainda um pouco pela principal rua da cidade moderna (moderna em contraposição com a Palmyra da Antiguidade). Sente-se uma sofreguidão pelo turista, aliás, pelo seu dinheiro, uma situação que se revelou pela primeira vez na Síria, e que encarei com algum beneplácito considerando as circunstâncias. Imagem o Algarve privado de TODOS os turistas de um dia para o outro. Essa é a situação em locais como Palmyra. Pessoas que desenvolveram a sua actividade profissional em redor do turismo de repente vêem-se sem fontes de rendimentos. Alguns estabelecimentos, mais cosmopolitas, fecharam já portas, enquanto que algum comércio se mantém, com evidentes dificuldades. Comprei uns chocolates e fui evidentemente &#8220;roubado&#8221;, mas de qualquer forma, continua barato. Num supermercado as compras fizeram-se a preços normais, locais. E depois regressámos, para um excelente humus no hotel&#8230; por 1 Eur. Ficámos um pouco, a ler, ao serão. Como a noite caiu pelas 5 horas, eram apenas 9 horas quando nos retirámos, depois de um bocadinho bem passado, na sala de estar junto à recepção, onde nos divertimos observando as andanças do pessoal e os homens que ali vão para conviver um bocadinho, como se de um café se tratasse. Até Internet havia!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/papaleguas.wordpress.com/3781/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/papaleguas.wordpress.com/3781/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/papaleguas.wordpress.com/3781/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/papaleguas.wordpress.com/3781/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/papaleguas.wordpress.com/3781/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/papaleguas.wordpress.com/3781/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/papaleguas.wordpress.com/3781/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/papaleguas.wordpress.com/3781/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/papaleguas.wordpress.com/3781/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/papaleguas.wordpress.com/3781/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/papaleguas.wordpress.com/3781/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/papaleguas.wordpress.com/3781/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/papaleguas.wordpress.com/3781/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/papaleguas.wordpress.com/3781/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=papaleguas.wordpress.com&amp;blog=948934&amp;post=3781&amp;subd=papaleguas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Médio Oriente ’11 – Dia 8 – Aleppo</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Jan 2012 13:02:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>papaleguas</dc:creator>
				<category><![CDATA[# Médio Oriente (11/2011)]]></category>
		<category><![CDATA[Síria]]></category>

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		<description><![CDATA[18 de Novembro Segundo dia completo em Aleppo. É Sexta-feira, dia santo no Islão. As ruas estão quase desertas, apenas alguns vendedores abriram as suas bancas. Tinham-me dito que era pena eu apanhar um destes dias, que a cidade não tinha piada. Mas gostei. Pode-se andar por locais que na véspera estavam repletos de gente, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=papaleguas.wordpress.com&amp;blog=948934&amp;post=3752&amp;subd=papaleguas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><strong>18 de Novembro</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3754" title="aleppo3-01" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo3-01.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align:justify;">Segundo dia completo em Aleppo. É Sexta-feira, dia santo no Islão. As ruas estão quase desertas, apenas alguns vendedores abriram as suas bancas. Tinham-me dito que era pena eu apanhar um destes dias, que a cidade não tinha piada. Mas gostei. Pode-se andar por locais que na véspera estavam repletos de gente, reparar em pormenores, parar para fotografar. É infinitamente mais descontraido. E mesmo assim, sobretudo a partir do final da manhã, existe algum comércio. Muitos fieis cumprem as obrigações religiosas e depois seguem a sua vida normal. O fim-de-semana no Islão engloba a Sexta-feira e o Sábado, mas o ênfase é invertido, em relação ao nosso calendário: o primeiro destes dias é mais global, e depois, no Sábado, para muitos já é um dia mais normal. Socialmente a Sexta-feira é um dia de família, doméstico, enquanto Sábado fica reservado para os amigos, para a festa.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3755" title="aleppo3-02" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo3-02.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3756" title="aleppo3-03" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo3-03.jpg?w=500" alt=""   /><br />
<img class="alignnone size-full wp-image-3757" title="aleppo3-04" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo3-04.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3758" title="aleppo3-05" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo3-05.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">Saímos do hotel às 10:34. A localização deste alojamento é excelente. Às portas da cidade antiga, por detrás da biblioteca nacional, encontra-se numa encruzilhada, entre a a velha Aleppo e o bairro cristão. E foi por ai mesmo que fomos, por entre ruas de casas com sabor colonial, muitas delas erigidas pelos franceses. São fachadas muitas vezes decoradas com cores garridas, a influência europeia a sentir-se, disfarçada pela adaptação a um novo clima. Passámos pelo <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Baron_Hotel">hotel Baron</a>, esse marco incontornável da história recente de Aleppo, onde figuras como Lawrence da Arábia, Agatha Christie (ali escreveu ela uma boa parte do seu romance Crime no Expresso do Oriente), Charles de Gaulle, Freya Stark, Julie Christie, Ataturk, Charles Lindbergh, Rooservelt, Yuri Gagarin. Da varanda do quarto 215 o rei Faisal proclamou a independência da Síria. Mas hoje é um farrapo, um velho traste que mal sobrevive à custa da glória passada. Arriscámos a entrar. Esperávamos talvez um pouco de simpatia de quem vive de e para o turista, sobretudo em tempos em que estes se tornaram uma raridade. Mas só recebemos olhares secos e um acenar rígido quando perguntei se podia tirar fotografias.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3759" title="aleppo3-06" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo3-06.jpg?w=500&#038;h=318" alt="" width="500" height="318" /></p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3760" title="aleppo3-07" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo3-07.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3761" title="aleppo3-08" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo3-08.jpg?w=500" alt=""   /><br />
<img class="alignnone size-full wp-image-3762" title="aleppo3-09" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo3-09.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3763" title="aleppo3-10" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo3-10.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">Continuámos a andar, até chegar a uma nova zona da cidade. Não é ainda a nova Aleppo, mas algo intermédio. Há um parque, que nos foi recomendado pelos anfitriões, mas que desagradou profundamente, sujo, seco, ao abandono. Mesmo assim é claramente um pólo de atracção para as famílias locais num dia como o de hoje. À entrada, numa vasta praça, organiza-se uma manifestação pró-governo. Aqui e ali, numa pretendida discrição, os homens dos serviços secretos observam. Num jeep preto três figurões de óculos escuros que não enganam ninguém. É preciso ter a certeza que os bons seguidores do presidente Assad não são incomodados.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3769" title="aleppo3-16" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo3-16.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align:justify;">A ideia era chegar à estação de comboios, que, dizem, é só por si algo digno de se ver, dentro do estilo decadente. E depois, há uma série de carruagens e locomotivas por ali abandonadas, nos ramais adjacentes. Mas, olhem, esquecemo-nos! Só nos lembrámos quando iamos de volta, e não apeteceu regressar. Em compensação vimos um palácio com uma placa que anunciava um instituto alemão de investigação. Ficou a dúvida se o seria ainad ou se estaria disoluto. Adoraria ter fotografado, mas afinal a Síria é a Síria e quando estava a olhar chegou um homem de bicicleta, que abriu o cadeado do portão e não se apressou a desaparecer de vista. Não quis arriscar.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3770" title="aleppo3-17" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo3-17.jpg?w=500&#038;h=298" alt="" width="500" height="298" /></p>
<p style="text-align:justify;">Dirigimo-nos à cidade antiga para uma segunda vista de olhos. À porta de uma loja de pneus o orgulhoso proprietário sugere-me por gestos que lhe tire uma fotografia. Feito o click, pede para a ver, no LCD da câmara. Entusiasmo! Decididamente ficou rendido aos meus dotes de fotógrafo, considerando o enorme sorriso que se lhe abriu na face e as exclamações excitadas com que chamou todos os amigos da rua para virem, também eles, verem o seu vizinho eternizado.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3771" title="aleppo3-18" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo3-18.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align:justify;">As ruas da cidade antiga estão quase vazias. Alguns homens regressam da mesquita. Somos interpelados por uma figura bizarra, um velhote que diz em inglês improvisado que não o devemos temer porque é cristão, segue-nos, aborda-nos diversas vezes, pede-me a morada para me escrever. Dou-lhe o endereço de e-mail. faz mais perguntas e começo a sentir-me desconfortável. Poderá ser? Um informador da polícia secreta? Nunca o saberei.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3772" title="aleppo3-19" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo3-19.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align:justify;">Tiro muitas fotografias. Não me sinto constrangido, como sucedeu em Damasco. É uma bela tarde, apesar do céu nebulado, sempre a ameaçar chuva, que nos acompanhou por todo o lado na Síria (excepção feita ao último dia, em Palmyra). Vamos visitar a cidadela, o castelo. Pagamos o bilhete, com um custo simbólico, e entramos pela monumental rampa. Nota-se bem que é dia santo, o local está cheio de sírios que usufruem da sua Sexta-feira. Há miúdos que descem as ingremes faces do cone de terra e rocha onde assenta a fortaleza, fazendo uma espécie de &#8220;rapel&#8221; pela gigantesca bandeira nacional que foi colocada toda em redor depois do início da crise. Exploramos o complexo sistema de ruínas da cidadela até que damos com uma agradável esplanada, com excelente vista para a cidade. Paramos para tomar um chá, num daqueles momentos que poderia durar para sempre. A vida é bela.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3773" title="aleppo3-20" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo3-20.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3774" title="aleppo3-21" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo3-21.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3775" title="aleppo3-22" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo3-22.jpg?w=500" alt=""   /><br />
<img class="alignnone size-full wp-image-3776" title="aleppo3-23" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo3-23.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3777" title="aleppo3-24" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo3-24.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">Em breve começará a escurecer. É Inverno e os dias são curtos. Iniciamos o caminho de regresso. Por duas vezes encontro grupos de miúdos que pedem para os fotografar. Tão diferente de outros países onde o viajante tem de dispensar uma moeda antes de poder pensar em tirar o retrato a um habitante local. Dois deles estão concentardos, à porta da loja dos pais, de volta de uma Vespa. Tiro-lhes uma primeira chapa, discretamente, mas sou avistado. Grande festa. Põem-se em cima da motorizada, posam, incitam a mais disparos, fingem ir a alta velocidade sem sairem do sítio, e quando carrego no botão aceleram com vigor, como se o som ficasse retido pelo sensor da Nikon.</p>
<p style="text-align:justify;">Antes de nos reunrimos com os nossos amigos para a ida ao Carrefour, há ainda tempo para mais um maravilhoso batido de banana no quiosque do costume. Já sou considerado velho cliente da casa, depois de três visitas em três dias. É sempre uma festa quando lá apareço. É espantoso.</p>
<p style="text-align:justify;">No hotel abordamos um problema com o Ahmed, uma situação sobre a qual já tinhamos até falado e para a resolução da qual obtivémos vagas promessas. É que, ao contrário do que pensava, não há forma efectiva de chegar de Aleppo a Palmyra. Portanto, das duas uma: ou não se visita Palmyra de todo, ficando-se mais dois dias em Aleppo, ou vai-se de volta a Damasco, para voltar para norte até ao meio do país, e de regresso à capital. Duas possibilidades pouco atractivas. Em Aleppo sentimos que já vimos o que há para ver e que já chega. Quanto ao ir e vir, para além de fisicamente desgastante, será certamente stressante. Entretanto o Ahmed insiste para que estejamos em Aleppo no Domingo à noite, para a sua festa de aniversário, e chegamos a um acordo, meio desafio: ele arranja-nos forma de visitar Palmyra, o Crac des Chevaliers e uma das &#8220;cidades perdidas&#8221; e em contrapartida regressaremos a Aleppo a tempo para participar na farra.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3778" title="aleppo3-25" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo3-25.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align:justify;">Ele leva a tarefa a sério! Pega no telefone e faz inúmeros contactos. Não é fácil. Os motoristas de Aleppo recusam-se a passar na zona de Hama e Homs. Como a população de Aleppo não se encontra activa na luta contra o regime, não é bem vinda aquela região, e já houve um caso de um motorista de táxi espancado por lá. Por outro lado, convencer um condutor de Hama e Homs a andar para cima e para baixo por uma quantia razoável também não se afigura simples. Por fim encontrou-se alguém. Passa-se à fase da negociação e dos pormenores. O programa que exigimos é sair de Aleppo de manhã cedo, visitar Serjilla e o Crac des Chaveliers, e pernoitar em Palmyra, regressando no dia seguinte a Aleppo. O homem houve e fica de telefonar em breve. Vai fazer contas. Por fim temos a proposta final: por 160 Eur temos condutor e carro para este programa. É uma despesa que não tinhamos planeado mas é demasiado tentador. Fica combinado!</p>
<p style="text-align:justify;">Já estamos com o Ahmed, a Nicole e a Anya. Apanhamos um táxi, onde nos empilhamos no interior. O Carrefour é nos limites da cidade, e sabe-me bem aquele banho de ocidentalidade depois de uma semana no Médio Oriente. Encontro sem problemas tudo o que preciso para a feijoada, o arroz doce e a mousse de chocolate. Cá fora está frio. Mas depressa estamos de regresso, desta vez direitos ao apartamento deles.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3753" title="aleppo3-26" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo3-26.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align:justify;">O jantar corre bem, com os preparativos a decorrerem em ambiente festivo, garrafas de vinho a serem abertas à laia de aperitivo. Cozinho sem problemas, e o resultado é excelente. Os convivas, à mesa, aguardam entusiasmados por aquela variação inesperada à sua dieta habitual. Depois de servida a refeição principal e as sobremesas, concentramo-nos na sala, com aquecimento ligado, e a conversa vai pela serão dentro. De novo, não nos deixam caminhar de regresso ao hotel, e o bom do Ronnie leva-nos no seu carro.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3765" title="aleppo3-12" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo3-12.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3766" title="aleppo3-13" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo3-13.jpg?w=500" alt=""   /><br />
<img class="alignnone size-full wp-image-3767" title="aleppo3-14" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo3-14.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3768" title="aleppo3-15" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo3-15.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/papaleguas.wordpress.com/3752/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/papaleguas.wordpress.com/3752/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/papaleguas.wordpress.com/3752/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/papaleguas.wordpress.com/3752/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/papaleguas.wordpress.com/3752/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/papaleguas.wordpress.com/3752/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/papaleguas.wordpress.com/3752/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/papaleguas.wordpress.com/3752/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/papaleguas.wordpress.com/3752/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/papaleguas.wordpress.com/3752/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/papaleguas.wordpress.com/3752/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/papaleguas.wordpress.com/3752/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/papaleguas.wordpress.com/3752/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/papaleguas.wordpress.com/3752/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=papaleguas.wordpress.com&amp;blog=948934&amp;post=3752&amp;subd=papaleguas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Médio Oriente ’11 – Dia 7 – Aleppo</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Jan 2012 13:24:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>papaleguas</dc:creator>
				<category><![CDATA[# Médio Oriente (11/2011)]]></category>
		<category><![CDATA[Síria]]></category>
		<category><![CDATA[mundo árabe]]></category>

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		<description><![CDATA[17 de Novembro Em Aleppo, a segunda cidade da Síria, com cerca de três milhões de habitantes. tenho um sorriso na face. Depois da tensão do dia anterior o agradável serão e a noite de sono bem passada trouxeram um outro ânimo. Pequeno-almoço marcado para as 10 horas, com os nossos anfitriões, Ahem &#38; Nicole, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=papaleguas.wordpress.com&amp;blog=948934&amp;post=3724&amp;subd=papaleguas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>17 de Novembro</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-3726" title="aleppo2-01" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo2-01.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align:justify;">Em Aleppo, a segunda cidade da Síria, com cerca de três milhões de habitantes. tenho um sorriso na face. Depois da tensão do dia anterior o agradável serão e a noite de sono bem passada trouxeram um outro ânimo. Pequeno-almoço marcado para as 10 horas, com os nossos anfitriões, Ahem &amp; Nicole, num dos átrios do pequeno hotel. Uma sala bela, decorada com objectos locais, que nos abrigou enquanto bebiamos chá e conversávamos mais. Estas são daquelas pessoas com quem nunca há aqueles embaraçantes momentos de silêncio. Os temas são inesgotáveis, mas vão rodando em redor da Síria&#8230; a situação política, o que há a visitar, a experiência da Nicole enquanto estrangeira residente.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3727" title="aleppo2-02" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo2-02.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3728" title="aleppo2-03" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo2-03.jpg?w=500" alt=""   /><br />
<img class="alignnone size-full wp-image-3729" title="aleppo2-04" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo2-04.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3730" title="aleppo2-05" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo2-05.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Terminada a sessão de arranque para o dia, tivémos direito a uma visita guiada à cidade velha. Caminhámos, desafiámos o trãnsito louco de Aleppo, entrámos no mercado. Tal como em Damasco o perfume oriental apresenta-se despido das chatices que se encontram noutros países do mundo árabe. Não há um assédio ao viajante que vai passando. Somos engolidos por aquela multidão que enxameia as ruas do &#8220;souk&#8221;, mas sem sermos violentados, sem que nos tentem impingir tudo e mais alguma coisa, nem quando nos detemos para observar algo com mais atenção. Os nossos amigos prometeram-nos uma diversão extra aqui. Vamos conhecer a &#8220;rainha de Aleppo&#8221;. E de facto foi um fartote de rir. A personagem é um comerciante de lenços que detém uma das melhores lojas do mercado, localizada no eixo principal, marcando um status que está reservado apenas aos negócios mais florescentes. Sentámo-nos no interior da loja durante uma hora, vendo as pessoas a passar, divertindo-nos com as tiradas ousadas da &#8220;rainha&#8221;, um homem dos seus trinta e muitos anos, cheio de boa disposição. Entretanto, chegaram clientes, fizeram-se negócios&#8230; e passarm por ali amigos e familiares, conheceram-se novas pessoas. Bebeu-se chá, experimentaram-se os afamados lenços sírios, com conselho e explicações de especialista.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3731" title="aleppo2-06" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo2-06.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Chegou enfim a hora de prosseguir. Explorámos algumas vielas, passámos junto às grandes referências de Aleppo, como a grande mesquita e a cidadela (na realidade, um castelo imponente rodeado por um fosse). Em Aleppo o ambiente opressivo de Damasco não se faz sentir. Começo a sentir-me liberto da inibição de fotografar que sentia na capital. Paramos para almoçar numa tasca especializada em &#8220;falafel&#8221;. Os locais deliciam-se com aquele petisco e enchem a casa. Mas o Ahmed entra e passado poucos minutos sai com o almoço para todos. Comemos na rua, de pé, à conversa. Um homem, vendo o nosso embaraço a lidar com a chuva de fragmentos que se desprende do &#8220;falafel&#8221; traz-nos guardanapos. Sem mais, apenas por gentileza.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3732" title="aleppo2-07" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo2-07.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3733" title="aleppo2-08" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo2-08.jpg?w=500" alt=""   /><br />
<img class="alignnone size-full wp-image-3734" title="aleppo2-09" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo2-09.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3735" title="aleppo2-10" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo2-10.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">O Ahmed está tenso e eu sei porquê. As sanções que pesam sobre a Síria começam a causar mossa e o combustível está-se a acabar. Ele preciso de arranjar gasóleo e gás para o hotel. O aquecimento depende disso e aproximam-se dias frios. E é preciso cozinhar. Há alguns dias que ele procura, sem sucesso, obter estas preciosas fontes de energia. Aqui e acolá encontra gente conhecida, trocam algumas palavras, e eu sei que ele está a tentar informar-se sobre possibilidades de aquisição de gasóleo e gás. Mais à frente eles compram um estendal de roupa. Diversas vezes mais barato do que custaria num espaço comercial moderno. E depois separamo-nos. Está na altura de explorar a cidade por nossa conta e risco. Somos convidados para um encontro de amigos no apartamento deles, para o serão.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3736" title="aleppo2-11" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo2-11.jpg?w=500&#038;h=339" alt="" width="500" height="339" /></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Descrever uma tarde passada entre becos e ruelas não é tarefa fácil. A riqueza visual e cultural não se transmite por palavras. Sente-se. Foram horas a fio a experimentar os recantos escuros de Aleppo. Entrámos em intímos páteos residenciais, onde nos chegaram os ecos de uma vida quotidiana familiar. Passámos por ruas de comércio, reparámos numa fábrica dos famosos sabonetes de Aleppo. Trouxe um deles para Portugal, o que me causou algum trabalho no aeroporto de Stansted. Aprendi que sabonetes são opacos no raio X e se tornam objectos suspeitos. À sua conta tive que esvaziar a minha mochila frente a um amável funcionário da segurança. mas valeu a pena. A pele fica um mimo depois de um duche com este sabonete genuino.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3737" title="aleppo2-12" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo2-12.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3749" title="aleppo2-13" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo2-131.jpg?w=500" alt=""   /><br />
<img class="alignnone size-full wp-image-3739" title="aleppo2-14" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo2-14.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3740" title="aleppo2-15" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo2-15.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Já exaustos, tentámos o regresso ao hotel, mas em determinado ponto demos por nós ligeiramente perdidos. Perguntei a um transeunte a direcção do Sheraton, ponto de referência no nossa caminho para &#8220;casa&#8221;. Ele olhou em redor, apontou a medo para baixo&#8230; viu que não percebi e concluiu que o melhor seria mesmo levar-nos pessoalmente até lá. É isto viajar na Síria, usufruir da gentileza dos locais, que frequentemente fazem uma pausa das suas vidas para ajudar os visitantes, sem nada desejar em troca. E lá fomos, sem conversas, que o inglês do nosso amigo de circunstância era practicamente inexistente, em passo rápido, até sermos entregue em mão na recepção do enorme hotel. Um compasso de espera, para evitar o embaraço de revelar que afinal não era exactamente para ali que queriamos ir, aproveitado para pedir no balcão um mapa de Aleppo.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3741" title="aleppo2-16" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo2-16.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3742" title="aleppo2-17" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo2-17.jpg?w=500" alt=""   /><br />
<img class="alignnone size-full wp-image-3743" title="aleppo2-18" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo2-18.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3744" title="aleppo2-19" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo2-19.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Antes chegar ao hotel, houve ainda tempo e vontade para uma visita ao encantador mundo dos sumos e batidos da Síria. Mesmo ali defronte, numa ruazinha cheia de comércio, alinhavam-se quatro casas destas, e o Ahmed já nos tinha aconslehado uma delas: &#8220;a terceira&#8221;, dizia ele. O jovem reconheceu-nos logo da véspera (tinhamos passado defronte e o nosso amigo trocou algumas palavras com ele). Que delícia! Batido de bana e sumo de manga! Altamente recomendado. E o preço? Ah&#8230; na  linha do falafel do almoço, que tinha custado 0,60 Eur. As bebidas, claro, preparadas na hora, custaram 1 Eur cada.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3745" title="aleppo2-20" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo2-20.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">O encontro em casa do Ahmed e da Nicole foi um deleite. Que grupo de amigos que ali existe! Um misto entre locais e residentes estarngeiros, estes, quase todos trabalhando no turismo. Éramos sete ou oito, sentados pela sala, à conversa. A Carly, inglesa, que partilha o apartamento com eles, chegou de uma viagem, trazendo uma onda de excitação aos convivas, a que assistimos de boca aberta. A Ania é uma estudante canadiana que está na Síria para aprender árabe. E há um sul-africano, que vive em Damasco mas está de visita. Depois, os locais. Ronnie e Romy. O primeiro, cristão, de aparência muito europeia, é o &#8220;miúdo&#8221; do grupo, trazido pelo Romy, sírio que cresceu nos EUA e lhe dá explicações de inglês. E Yahya, que está com  a Anya.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3746" title="aleppo2-21" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo2-21.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3747" title="aleppo2-22" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo2-22.jpg?w=500" alt=""   /><br />
<img class="alignnone size-full wp-image-3748" title="aleppo2-23" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo2-23.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3725" title="aleppo2-24" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo2-24.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">De tal modo me senti bem naquele grupo de boa gente que me ofereci para cozinhar no dia seguinte para todos. A minha única condição era encontrarem-me um espaço comercial à europeia, onde pudesse comprar os ingredientes com que estou familiarizado. E logo me disseram que nada receasse, que no dia seguinte iriamos ao Carrefour! Boa!</p>
<p style="text-align:justify;">Na hora da despedida não nos deixaram caminhar até ao hotel. Ronnie e Romy trouxeram-nos de carro, um luxo, mas algo perfeitamente normal para os hospitaleiros sírios.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/papaleguas.wordpress.com/3724/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/papaleguas.wordpress.com/3724/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/papaleguas.wordpress.com/3724/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/papaleguas.wordpress.com/3724/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/papaleguas.wordpress.com/3724/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/papaleguas.wordpress.com/3724/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/papaleguas.wordpress.com/3724/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/papaleguas.wordpress.com/3724/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/papaleguas.wordpress.com/3724/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/papaleguas.wordpress.com/3724/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/papaleguas.wordpress.com/3724/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/papaleguas.wordpress.com/3724/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/papaleguas.wordpress.com/3724/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/papaleguas.wordpress.com/3724/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=papaleguas.wordpress.com&amp;blog=948934&amp;post=3724&amp;subd=papaleguas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Médio Oriente ’11 – Dia 6 – Damasco, Aleppo</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Jan 2012 21:13:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>papaleguas</dc:creator>
				<category><![CDATA[# Médio Oriente (11/2011)]]></category>
		<category><![CDATA[Síria]]></category>

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		<description><![CDATA[16 de Novembro &#160; &#160; Dia negativo. Acordámos,  e o Alfrendo estava com uma cara que não deixava antever nada de bom. Descoseu-se. Aparantemente durante a noite ocorrera um ataque a umas instalações dos serviços de informação, a primeira acção declaradamente violenta  da oposição ao regime. Dentro de dois dias será Sexta-feira, quando os tumultos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=papaleguas.wordpress.com&amp;blog=948934&amp;post=3708&amp;subd=papaleguas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>16 de Novembro</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-3711" title="aleppo1-01" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo1-01.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align:justify;">Dia negativo. Acordámos,  e o Alfrendo estava com uma cara que não deixava antever nada de bom. Descoseu-se. Aparantemente durante a noite ocorrera um ataque a umas instalações dos serviços de informação, a primeira acção declaradamente violenta  da oposição ao regime. Dentro de dois dias será Sexta-feira, quando os tumultos se intensificam. Existem rumores de que as autoridades ponderam encerrar Damasco desde Quinta-feira até à próxima Segunda-feira. Ninguém poderá entrar ou sair da cidade. E perante isto há que tonar uma decisão. O plano inicial incluia mais um dia por aqui&#8230; e que tal se ficarmos mais quatro? É demais. Vai destabilizar todo o plano de viagem. Estamos prontos a partir, digamos, de emergência? Tem de ser. É a decisão mais sensata.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3712" title="aleppo1-02" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo1-02.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3713" title="aleppo1-03" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo1-03.jpg?w=500" alt=""   /><br />
<img class="alignnone size-full wp-image-3714" title="aleppo1-04" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo1-04.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3716" title="aleppo1-06" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo1-06.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Envio uma mensagem ao anfitrião de Aleppo perguntando se posso antecipar a chegada, e passado segundos recebo luz verde para a alteração. Lá fora chove. Decididamente não está a ser um bom início de dia, mas tudo isto permite-nos ao menos passar algum tempo juntos. Oficialmente não há comida em casa, mas o Alfrendo vai à cozinha e passado 10 minutos regressa com um autêntico banquete, preparado na hora. Este rapaz tem dotes mágicos. E passamos a hora seguinte sentados no chão, a conversar, a debater os detalhes da mudança de planos. Fica decidido sairmos, já com as mochilas, e visitar uma casa-museu que existe na velha cidade, um complexo de edíficios outrora pertença de uma das ilustres famílias damascenas, e hoje um espaço muito apreciado por locais e turistas.  De seguida o Alfrendo deixar-nos-ia no autocarro certo para Aleppo e, em principio, tudo correria bem.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3717" title="aleppo1-07" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo1-07.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">O dia continuava cinzento, antipático. E não melhorou. O local, que tanto encantava o Alfrendo, não me convenceu, mas suspeito que apenas pelas más vibrações que por ali andavam naquele dia&#8230; o ataque armado, a chuva, a mudança de planos. Foi com pouca vontade que percorri as diversas casas do complexo palaciano, espalhadas por vários páteos ajardinados. No interior de cada uma, exposições temáticas, dedicadas a actividades económicas e sociais de outros tempos&#8230;. a escola&#8230; a cozedura do pão&#8230;. a música.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3718" title="aleppo1-08" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo1-08.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align:justify;">Apanhámos um táxi para a estação de autocarros, à entrada da qual passámos as mochilas por um tapete  de máquina da raiox X. Depois grande correria do portão até à agência, da agência até ao autocarro&#8230; que já não estava lá, saia, descontraidamente, esperando a sua vez para abandonar o complexo. Uma hora à espera, uma desagradável hora, lidando com pedintes de todas as idades e com o tempo húmido.</p>
<p style="text-align:justify;">O autocarro era algo digno de ser ver. Qualidade. O bilhete para Aleppo foi um pouco mais caro devido a este luxo. Em vez das habituais quatro cadeiras por linha, este, só tinha três, oferecendo mais conforto aos passageiros, que se afundavam nas suas poltronas. Como fomos os primeiros a comprar bilhetes, ficámos no banco de trás. Os piores lugares, estranhamente. A sequência é invertida, como confirmámos uns dias mais tarde, na viagem de regresso, quando chegámos à última da hora e levámos os últimos bilhetes disponiveis, sendo recompensados com as cadeiras da frente. Fizémos logo um amigo no passageiro da frente, encantado por poder balbuciar umas palavras em inglês com a raridade destes viajantes. Perguntou-nos em que hotel ia ficar na &#8220;sua Aleppo&#8221; e como não tinhamos uma reserva passou um bom bocado a convencer-nos a ficar em sua casa, conviste extensível, &#8220;claro&#8221;, a toda a comida com que pudessemos lidar. Hospitalidade é algo levado muito a sério pelos sírios.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3719" title="aleppo1-10" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo1-10.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Ao passarmos junto a Homs viram-se clarões no céu, provavelmente fogo de artilharia, e todo o autocarro se virou para observar a mancha de luz que parecia indiciar um grande incêndio, lá longe. Depois, o primeiro checkpoint. Um polícia à paisana, um daqueles sírios ruivos que mais parecem europeus,  verificou as identidades de todos os passageiros. Mais tarde, ao entrar na periferia de Aleppo, encontrámos por outra barreira de segurança, mas dessa feita os agentes fizeram sinal para o autocarro prosseguir. Foram quatro horas que se passaram estranhamente depressa.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3720" title="aleppo1-11" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo1-11.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3721" title="aleppo1-12" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo1-12.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">A chegada a Aleppo foi tormentosa. O assédio dos condutores de táxi ultrapassou tudo o que tinha visto até então. Quase que cheguei à confrontaçao física para os afastar, pobres diabos, sequiosos de trabalho. Quando a cerca de dezena de &#8220;abutres&#8221; foi gradualmente dispersando, à medida que nos afastávamos, foi tempo de negociar. Conseguimos um valor muito acima do devido, mas mesmo assim aceitável. Algo como 2 Eur. O intermediário ou coordenador conhecia o hotel do nosso amigo de Aleppo, o que deu alguma segurança. Meteu-nos num táxi, deu instruções ao condutor e seguimos. Com alívio vi chegar a torre que era a nossa referência para encontrar o destino para a noite, mas deixei o taxista perguntar a quem encontrava onde ficava o nosso hotel. Dois minutos depois estávamos à porta.</p>
<p style="text-align:justify;">O Ahmed é um couchsurfer peculiar. Tem um hotelzinho onde aloja os viajantes quando tem quartos vazios, o que nestes dias significa sempre. Fomos recebidos com aquela atitude que sempre nos faz sentir confortáveis desde o primeiro momento. O empregado na recepção chamou o nosso amigo, que pouco depois descia com a namorada, uma australiana que por ali se estabeleceu, e com quem vive. Mandaram vir comida e uma garrafa de vinho, conversámos durante horas até ser muito tarde, sentados naquela recepção que se tornaria o centro do meu mundo nos próximos dias. O dia atribulado chegava ao fim, e da melhor maneira.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-3710" title="aleppo1-13" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2012/01/aleppo1-13.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/papaleguas.wordpress.com/3708/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/papaleguas.wordpress.com/3708/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/papaleguas.wordpress.com/3708/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/papaleguas.wordpress.com/3708/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/papaleguas.wordpress.com/3708/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/papaleguas.wordpress.com/3708/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/papaleguas.wordpress.com/3708/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/papaleguas.wordpress.com/3708/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/papaleguas.wordpress.com/3708/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/papaleguas.wordpress.com/3708/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/papaleguas.wordpress.com/3708/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/papaleguas.wordpress.com/3708/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/papaleguas.wordpress.com/3708/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/papaleguas.wordpress.com/3708/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=papaleguas.wordpress.com&amp;blog=948934&amp;post=3708&amp;subd=papaleguas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Médio Oriente ’11 – Dia 5 – Damasco</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Dec 2011 22:22:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>papaleguas</dc:creator>
				<category><![CDATA[# Médio Oriente (11/2011)]]></category>
		<category><![CDATA[Síria]]></category>

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		<description><![CDATA[15 de Novembro O dia começou devagaroso, sem a urgência de sair para explorar. Tomámos um bom pequeno-almoço em conjunto, e por fim pusemo-nos na rua. De novo, uma daquelas fascinantes carrinhas para o centro, onde apanhámos um táxi para o nosso destino matinal, o único pedido expresso que fiz ao nosso anfitrião: O Panorama. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=papaleguas.wordpress.com&amp;blog=948934&amp;post=3678&amp;subd=papaleguas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>15 de Novembro</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3681" title="middleeast05-01" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast05-01.jpg?w=500&#038;h=302" alt="" width="500" height="302" /></p>
<p style="text-align:justify;">O dia começou devagaroso, sem a urgência de sair para explorar. Tomámos um bom pequeno-almoço em conjunto, e por fim pusemo-nos na rua. De novo, uma daquelas fascinantes carrinhas para o centro, onde apanhámos um táxi para o nosso destino matinal, o único pedido expresso que fiz ao nosso anfitrião: O Panorama. Por alguma razão tinha metido na cabeça que este local se encontrava no topo das montanhas que seguem Damasco pelo seu flanco norte, mas não, o Panorama encontra-se no vale, algo afastado do centro mas mesmo assim bem na cidade. E o que é o Panorama? Bem, de novo é algo que eu não esperava. Pelas fotografias que tinha visto pensava que era uma espécie de museu ao ar livre dedicado à guerra de Yom Kippur, que ocorreu em 1973, e através da qual o Egipto e a Síria esperavam reconquistar as terras perdidas para Israel durante a guerra dos Seis dias, em 1967. As coisas não corream de feição para os árabes e o conflicto terminou numa espécie de empate. As forças israelitas, apanhadas de surpresa pelo ataque, recuperaram e, apesar de baixas que lhes eram desconhecidas nas guerras anteriores, resistiram e fincaram pé. Bom, mas então o Panorama é mais do que um parque com material de guerra usado em 1973. É um complexo edíficio, construido sob orientação de técnicos norte-coreanos, que funciona um pouco como um planetário: o espectador toma o seu lugar numa cadeira, e a plateia vai rodando, muito lentamente, mostrando o cenário da batalha de Quneitra.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3682" title="middleeast05-02" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast05-02.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3683" title="middleeast05-03" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast05-03.jpg?w=500" alt=""   /><br />
<img class="alignnone size-full wp-image-3684" title="middleeast05-04" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast05-04.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3685" title="middleeast05-05" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast05-05.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">Quneitra é (aliás, era) uma pequena cidade que tinha sido ocupada por Israel em 1967 e abandonada durante o conflicto de 1973 depois de arrasada e destruida pelos ocupantes em retirada. O regime sírio fez questão de não investir na sua recuperação e hoje é, na perspectiva árabe, um monumento à barbárie israelita, um conjunto de avenidas fantasmas, rodeadas de edíficios semi-destruidos. Habitualmente é possível visitar esta área desolada, mediante uma autorização oficial, e sob a escolta de um militar sírio, e esse era um dos pontos altos do meu plano inicial, mas perante a instabilidade que se vivia no país aquando da minha visita, nem me passou pela cabeça tentar a excursão.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas preciso de falar um pouco mais do Panorama, porque a experiência é uma coisa de outro mundo: o realismo colocado no diorama é tal que muito dificilmente o espectador consegue identificar a fronteira entre os elementos reais e as pinturas na tela. Tudo à escala épica que caracteriza o regime norte-coreano. É impressionante e um ponto a não perder em qualquer visita a Damasco.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3686" title="middleeast05-06" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast05-06.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align:justify;">Deixem-me voltar um pouco atrás na narrativa. Ao entrar no recinto, passamos por uma bilheteira. É evidente que o pessoal não está habituado a ter visitantes, muito menos estrangeiros, e ainda menos nos tempos que correm. O Alfrendo lança-se em discussão interminável com os funcionários, pedindo os nossos passaportes de permeio. E mais conversa para aqui e para acolá, a tempos de forma aguerrida, noutros momentos em tom mais sereno. Por fim temos os bilhetes na mão e entramos. Ele resume-nos o debate: os bilhetes para estrangeiros eram cerca de 6 Eur, mas o bom do nosso amigo dedicou-se a convencer o responsável que nós éramos não só universitários de alto calibre como velhos amigos da família, que deviam ser vistos como sírios honorários, e lá se arranjaram uns bilhetes especiais, rarissimos, destinados a estudantes estrangeiros, por mais de metade do preço.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3698" title="middleeast05-18" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast05-18.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align:justify;">Recebemos instruções para esperar no parque aberto, e pouco depois chegou a nossa guia, acompanhada do que penso ser uma estagiário que nos seguiu durante todo o tempo que permanecemos nas instalações, mas que não abriu a boca. E que guia&#8230; uma mulher dos seus quarenta anos à qual um mero olhar de soslaio poderia inspirar-me sonhos molhados para uma semana inteira.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3699" title="middleeast05-19" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast05-19.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3700" title="middleeast05-20" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast05-20.jpg?w=500" alt=""   /><br />
<img class="alignnone size-full wp-image-3701" title="middleeast05-21" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast05-21.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3702" title="middleeast05-22" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast05-22.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">Começou por nos falar sumariamente do material de guerra exposto, enquanto nos ia perguntando sobre as impressões que estávamos a recolher da Síria, se já tinhamos visitado aquilo e acoloutro e qual os nossos planos. Aconselhou-nos a ir ao castelo de Saladino, sorrindo com ar de menina apanhada quando lhe disse que gostaria mesmo era de ir ao Crac des Chavaliers mas que se calhar não era uma boa ideia. &#8220;Pois, nestes tempos é capaz de ser complicado&#8221;, confessou ela. Confirmando a instrução dos homens da bilheteira de que não era permitido tirar fotografias a absolutamente nada (uma nova regra, deste momento de paranóia), conduziu-nos para o interior do edíficio, onde nos mostrou uma sala com pinturas épicas dos grandes heróis sírios de todos os tempos, antes de nos sentar num auditório onde assistimos a uma curta metragem sobre a guerra de 1973, antes de nos servir o prato forte, o grande diorama.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3687" title="middleeast05-07" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast05-07.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3688" title="middleeast05-08" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast05-08.jpg?w=500" alt=""   /><br />
<img class="alignnone size-full wp-image-3689" title="middleeast05-09" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast05-09.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3690" title="middleeast05-10" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast05-10.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">Adorei tudo aquilo, mesmo o discurso nacionalista da guia, que fui recebendo com um sorriso educado, enquanto ia fazendo perguntas inocentes, que encantavam a sereia síria, pela prova de que um estrangeiro estava tão por dentro da história da sua nação. O Alfrendo, creio, ia partilhando do gosto dela no nosso interesse e entusiasmo, que era, aliás, perfeitamente genuíno. Enfim, um momento alto da viagem.</p>
<p style="text-align:justify;">O resto do dia foi, por assim dizer, pouco produtivo. Acabámos por andar por locais que se não eram os da véspera, bem se pareciam. Comemos humus no local favorito do Alfrendo. Continuámos a percorrer a cidade antiga, sempre sob um céu que ameaçava chuva a qualquer momento. De resto, os dias da Síria foram sempre assim, com excepção do último.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3691" title="middleeast05-11" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast05-11.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3692" title="middleeast05-12" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast05-12.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">Não satisfiz o desejo de beber um daqueles batidos de banana monumentais, descritos na crónica do dia anterior, mas o gelado não nos escapou. Delicioso, como tudo o que fomos experimentando na Síria. Consegui comprar as bandeirinhas que colecciono, dos países que visito. Não só da Síria como também da Jordânia. Vi pormenores pictorescos, entrei em lojas de comércio tradicional, respondi a sorrisos e desejos de boa estadia no país. Admirei o festival de cor do mercado das especiarias, dos frutos secos, dos doces. E observei gentes: em Damasco encontrei uma cidade de contrastes, onde um carro de último modelo se encontra parqueado à frente de monte de lata móvel, numa rua onde velhas casas dissolutas se intercalam com ultra-modernos edíficios espelhados. Aqui, uma loja como as que se encontram em qualquer centro comercial europeu, encontra-se de braço dado com um velho botequim gerido por um ancião. Ao lado de um restaurante de uma qualquer cadeia de &#8220;fast food&#8221; está um tasco de kebab. E todas estas diferenças se aplicam às pessoas. Se tirarmos uns quantos transeuntes ao calhas de entre a multidão, poderemos ver um casal de namorados que passariam por modernos madrilenos, um homem envelhecido por anos de dificuldades e que em nada diferirá dos seus antepassados que viveram há duzentos anos, uma mulher coberta dos pés à cabeça que mais parece um manto andante da qual nem os olhos se vêem, um intelectual com ares de parisiense e aspecto de quem fuma mais charros do que o mais fiel frequentados das coffe shops de Amesterdão. Em Damasco há espaço para toda a gente, sem conflictos de credos ou estilos de vida. É um mimo ver passar aqueles grupos de mulheres iranianas, manchas negras em viagens de turismo, enquadradas por um elemento varão, que se cruzam com espampanantes jovens de mini-saias ou calças justas, cabelo frondoso que saltita ao ritmo dos passos em sapato de salto alto.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3693" title="middleeast05-13" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast05-13.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align:justify;">E nisto chegou a noite, que é como quem diz, as cinco horas da tarde. E fomos a uma nova sessão de histórias. O Alfrendo nunca conseguiu compreender o meu fascínio pelo local. Como podia eu desejar tanto ali ir e ficar durante uma hora a ouvir um tipo falar numa linguagem que não entendia&#8230;? Mas sentia-se lisonjeado pelo interesse. De novo, um apagão, e desta vez precisamente quando chegávamos à porta do estabelecimento. Um tipo sai a correr e liga um enorme e barulhento gerador. Estava assegurada a luz no interior. E lá estava ele, o mesmo homem, no alto do trono com uma vara na mão, utilizada para fustigar a banqueta adjacente nos momentos mais emocionantes, com um golpe seco e certeiro, a provocar alguns saltos de susto na audiência.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3694" title="middleeast05-14" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast05-14.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3695" title="middleeast05-15" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast05-15.jpg?w=500" alt=""   /><br />
<img class="alignnone size-full wp-image-3696" title="middleeast05-16" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast05-16.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3697" title="middleeast05-17" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast05-17.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">Numa das mesas um grupo de homens escutava atentamente. E o contador, volta não volta, fixava os olhos neles e dedicava-lhes surdamente a história. Ao lado, um casalinho namoriscava sem prestar a mínima atenção ao conto, ela, de costas, dando saltos nervosos de cada vez que a vara implacável se abatia sobre a madeira&#8230; até que, entre linhas, o contador lhe diz que, quem sabe, a próxima varetada será na sua cabeça&#8230; gargalhada geral, mas eles, pelo sim pelo não, pagam a conta e retiram-se&#8230; não fosse o ilustre narrador estar a falar a sério.</p>
<p style="text-align:justify;">Voltámos para casa cedo. Estava frio e o cansaço apertava. Decidimos jantar os restos do dia anterior e passar um serão acolhedor no calor do lar. De novo tomámos aquelas carrinhas fantásticas. A coisa passa-se assim: como se existisse uma relação telepática entre condutor e potenciais passageiros, as pessoas entram em qualquer local, pela porta de correr lateral. Vão ocupando os lugares disponiveis, sem as complicações dos jordanos. Nós sempre nos instalámos no banco de trás, para podermos estar juntos. Ora depois de um passageiro se sentar, tem a missão de fazer chegar o pagamento ao condutor, que geralmente é o proprietário da viatura. Isto faz-se através de um complexo processo durante o qual o dinheiro e as instruções (para onde é que se está a pagar o bilhete) passam de mão em mão e de boca em boca. Quando há lugar a troco, segue-se o processo inverso. É um caos controlado, com os passageiros que estão no meio a carregar com o principal ónus&#8230; como diabo é que eles conseguem memorizar quem deu quanto e para onde vai, e depois, para quem orientar o troco que o condutor, por entre a condução alucinada das ruas de Damasco, lhes devolve&#8230; ?</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3703" title="middleeast05-23" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast05-23.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align:justify;">Ao longo do percurso vão-se vendo coisas curiosas. O homem que entra e por qualquer razão só por ele conhecida torna a sair. A confusão gerada de tempos a tempos com a dança do dinheiro e dos bilhetes. As pessoas. E tudo isto no decorrer de uma aventura maior que é circular em Damasco. É suicida. Já é mau ser peão, e atravessar as avenidas de 4 ou 6 fachas com trânsito initerrupto, andando calmamente. Parando. Esperando. Passando mais uma ou duas faixas. Uma técnica que fui dominando ao longo dos sete dias de Síria, refrescando a memória da aprendizagem lisboeta que tive, e que aqui é como que um diploma de escola primária ao lado de uma multidão de doutores. Ao principio o melhor mesmo é escolher um damasceno e colar-mo-nos a ele. Como uma sombra, do lado oposto ao do tráfego.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3704" title="middleeast05-24" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast05-24.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3680" title="middleeast05-25" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast05-25.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">Tal como planeado o serão foi de convívio, de aprofundamento da amizade crescente por aquele jovem maravilhoso que é o Alfrendo, talvez a melhor pessoa que se cruzou na minha vida. O seu estilo delicado, a sua bondade, a sua cultura, a sua inteligência são uma mistura verdadeiramente rara entre nós, simples <em>homo sapiens sapiens</em>. Recordo-me de nos ter dito, logo no primeiro dia: &#8220;estão a ver a minha mão direita? estão a ver a minha mão esquerda? São ambas vossas enquanto forem meus hóspedes&#8221;. É isto o Couchsurfing no seu melhor.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/papaleguas.wordpress.com/3678/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/papaleguas.wordpress.com/3678/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/papaleguas.wordpress.com/3678/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/papaleguas.wordpress.com/3678/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/papaleguas.wordpress.com/3678/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/papaleguas.wordpress.com/3678/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/papaleguas.wordpress.com/3678/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/papaleguas.wordpress.com/3678/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/papaleguas.wordpress.com/3678/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/papaleguas.wordpress.com/3678/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/papaleguas.wordpress.com/3678/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/papaleguas.wordpress.com/3678/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/papaleguas.wordpress.com/3678/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/papaleguas.wordpress.com/3678/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=papaleguas.wordpress.com&amp;blog=948934&amp;post=3678&amp;subd=papaleguas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Médio Oriente ’11 – Dia 4 – Amman, Damasco</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Dec 2011 23:38:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>papaleguas</dc:creator>
				<category><![CDATA[# Médio Oriente (11/2011)]]></category>
		<category><![CDATA[Jordânia]]></category>
		<category><![CDATA[Síria]]></category>

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		<description><![CDATA[14 de Novembro Este foi o dia de todos os medos, aquele que foi ponderado, analisado, reflectido e pensado um cento de vezes. Entrar na Síria. Aquele país que esteve na  essência desta viagem, que foi colocado em causa, que esteve riscado do plano, para depois resuscitar, á última da hora, à medida que lia [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=papaleguas.wordpress.com&amp;blog=948934&amp;post=3652&amp;subd=papaleguas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>14 de Novembro</strong></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3655" title="middleeast04-01" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast04-01.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Este foi o dia de todos os medos, aquele que foi ponderado, analisado, reflectido e pensado um cento de vezes. Entrar na Síria. Aquele país que esteve na  essência desta viagem, que foi colocado em causa, que esteve riscado do plano, para depois resuscitar, á última da hora, à medida que lia relatos de viajantes que traziam alguma tranquilidade ao medo criado e manipulado pela comunicação social. Como se leu, um derradeiro ataque desse vil medo tentou cancelar a viagem a meras horas da partida, mas a voz do bom senso emitida a partir de Damasco restabeleceu a ordem: as fronteiras não estavam fechadas e de resto não se passava nada de extraordinário no país, pelo menos nas áreas a visitar.</p>
<p style="text-align:justify;">Mesmo assim foi com ansiedade que acordámos, cedo, para nos deslocarmos ao local de onde partiam os táxis partilhados para Damasco. Atenção, quando em viagem se fala de táxis partilhaos a imagem que vem à ideia é a de um veículo decrépito, onde pessoas se encaixam como podem, destinadas a partilhar algumas horas em comum a uma distância demasiado próxima umas das outras. Aqui, não é nada disso. Estes táxis partilhados são carros de luxo, novinhos em folha, imaculadamente limpos e disponíveis para quatro passageiros que dexejem deslocar-se entre as capitais destes países. O valor do percurso é de 44 JD (já disse que o Dinar jordano e o Euro se equivalem?). Portanto, se existirem quatro passageiros, toca 11 Eur a cada um. Se não se quiser partilhar ou não houver tempo para esperar por mais, o que interessa ao gestor do táxi é que se pague os 44 JD, e a partir daí segue-se viagem.</p>
<p style="text-align:justify;">Ora o nosso táxi regular, apanhado à porta de casa, trouxe-nos sem incidentes até um ponto, sem qualquer indicação específica, onde dois ou três destes carros de bom aspecto aguardabam clientes. Claro que os tempos não são os melhores para o negócio. A tensão na Síria afasta clientes. Tentam-nos despachar a sós, mas não queremos pagar a tarifa dobrada. Insistimos em esperar. Somos convidados a aguardar no escritório da pequena empresa (ou será uma cooperativa? Não chegámos a compreender como está articulado o negócio) que faz de sala de espera. E, felizmente, e ao contrário do que toda a gente nos tinha dito, não apanhamos nenhuma seca. Cerca de dez minutos depois, já pago o bilhete e arrecadado o recibo, dizem-nos que vamos seguir. A comunicação é complicada, ninguém fala uma língua comum, e não compreendemos como é que vamos seguir, só os dois, num carro, se pagámos apenas 11 Eur cada. Mas isso não é problema.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3656" title="middleeast04-02" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast04-02.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3657" title="middleeast04-03" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast04-03.jpg?w=500" alt=""   /><br />
<img class="alignnone size-full wp-image-3658" title="middleeast04-04" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast04-04.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3659" title="middleeast04-05" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast04-05.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Estamos a caminho, abandonamos Amman por vias largas, aquela hora practicamente desertas. Depois, a estrada impecável que leva á fronteira. E a determinado momento o nosso condutor, com uma palavra aqui e outra ali, faz-me perceber: iremos parar para nos encontrarmos com os outros dois passageiros que partilharão o táxi. E assim sucede. Uns quilómetros volvidos encostamos junto a um estabelecimento que de tudo vende (e até faz câmbio, ao qual o nosso bom homem nos encoraja, certamente aguardando uma comissão por parte do proprietário, mas sem sucesso), e esperamos. Foram uns trinta minutos, até chegar um carro transportando uma mulher velada e uma criança. Como manda o protocolo, sigo viagem no lugar ao lado do condutor, e a cambada vai lá atrás.</p>
<p style="text-align:justify;">Logo depois chegamos à fronteira e algo corre mal. Quando o nosso carro chega ao primeiro ponto de verificação, o guarda jordano manda-o para trás. Claro que não percebo porquê, mas a explicação que o condutor dá à mulher que viaja conosco deixa-a sossegada, logo, não vejo motivos para preocupações.</p>
<p style="text-align:justify;">Retornamos cerca de quatrocentos metros, paramos junto a dois carros, o nosso conduto sai e inicia uma extensa conversação, que vou acompanhando pelo espelho retrovisor. A coisa não está pacífica, há discórdia&#8230; mas por fim chega o acordo. Dizem-nos para nos mudarmos para aqueles dois carros. E é num deles que atravessaremos a fronteira.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3654" title="middleeast04-17" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast04-17.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Nem sei quanto tempo demorámos no processo, talvez uma hora e meia ou duas. Mas correu tudo bem. Simplesmente existe uma infinidade de procedimentos, alguns da natureza burocrática, e outros por segurança. Primeiro, paragem á entrada do lado jordano. Nova paragem para verificação de segurança. Depois, ir ao visto de saída do país. Nova verificação na qual pagamos a taxa de saída (achoq ue por pouco escapávamos a largar estes 8 JD, que de resto foram um pouco menos para facilitar os trocos). E última barreira no lado jordano, onde verificam que temos tudo em ordem. Chega a fronteira síria. O pessoal de serviço é muito diferente dos jordanos. Meio fardados meio à civil, de aspecto rufião, barbas por fazer. Dá-se a primeira verificação, e procedemos para o segundo ponto. Nova vista de olhos nos passaportes. Mais à frente, o posto fronteiriço propriamente dito, enorme, as instalações fronteiriças maiores que já vi. Um funcionário simpático atende-nos, manda-nos pagar o visto de entrada ao colega do gabinete em frente. Ora bem, ao espreitar no tal gabinete da frente, vimos o sírio em questão a fazer ó ó numa caminha. Mas, quer dizer, uma caminho mesmo, a sério. Com lençois, cobertores, almofada. Só lhe faltava um barretinho com um pompom e um pijamita a condizer. Olhamos para trás, confusos, e o simpático de sorriso aberto faz-nos sinal para batermos no vidro do guichet. O que fazemos, assistindo depois ao espectáculo da bela adormecida, que se levanta, primeiro uma perna no chão, depois outra&#8230; olha-nos com ar revoltado, e vou já tremendo com o castigo que sofreremos à laia de retaliação. Espreguiça-se com todo o vagar do mundo e senta-se então no seu posto de trabalho. Talvez planeasse passar à contra-ofensiva no capítulo dos trocos, mas teve azar, porque levou logo ali, bem contadinhos, os 55 Eur que pediu pelas duas pessoas. Mais barato do que esperávamos. É a segunda poupança num espaço de minutos, depois do desctonto surpresa na taxa de saída da Jordânia.</p>
<p style="text-align:justify;">Regressamos ao colega afável, que nos devolve os passaportes, desejando uma boa estadia no país. Mas ainda não está terminado. Mais á frente, é a sessão de revista de bagagens, e é ai que o coração acelera. Podem implicar com a cãmara (jornalistas estrangeiros não t~em acesso à Síria nesta altura) ou com o computador. Mas tudo corre bem. O guarda que nos assiste abre ligeiramente o estojo do computador e devolve-o sem mais. Mete a mão na mochila até ao fundo. Não sei se não sentiu a câmara ou se não quis saber, mas em menos de nada estava terminado o procedimento, arrematado com mais um alegre e sincero &#8220;welcome to Syria&#8221;.  Ultrapassamos ainda mais dois postos de segurança, onde a papelada é verificada, e estamos na Síria!</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3660" title="middleeast04-06" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast04-06.jpg?w=500&#038;h=326" alt="" width="500" height="326" /></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Mudamos para o nosso carro original e rolamos despreocupadamente pela estrada que conduz até Damasco, a cerca de 100 km da fronteira. Não se avista nada de anormal. Há intenso tráfego de pesados de mercadorias, mas nada de presença militar. Apenas para entrar na área urbana da capital somos parados em dois checkpoints, onde elementos com o aspecto suspeito dos que encontrámos na fronteira me verificam sumariamente o passaporte sem levantarem quaisquer dificuldades.</p>
<p style="text-align:justify;">Olha, e de repente o táxi sai da auto-estrada, e o tipo diz-nos que chegámos. Mas que porra é esta? A ideia era deixar-nos no sítio do costume, ou seja, na estação de autocarros que serve as ligações para a Jordânia e Libano, mas o malfadado homenzinho dali não vai passar. Abandonados num acesso à auto-estrada, os telemóveis não têm acesso à rede síria, e, note-se bem, nada de dinheiro local no bolso. Que rico serviço!</p>
<p style="text-align:justify;">Não passou muito tempo antes dos primeiros abutres, leia-se, taxistas, se começarem a aproximar. Os primeiros, com os maus-fígados com que estava, foram repelidos com alguma aspereza. Depois, aproximou-se um que me inspirou a debater a situação. Aceitava pagamento em Euros, mas, claro, o valor que tive que aceitar era uma roubalheira. Foram cerca de 4 Eur por um serviço que valia 0,80 Eur. Mas o que são 4 Eur para sair de uma situação daquelas? Claro que a viagem, nas mãos de um assumido crápula e por uma cidade desconhecida, sobretudo em tempos complicados, foi uma descarga pegada de adrenalina. Por exemplo, como saber que, quando o homem anunciou a chegada ao destino final, eu estava efectivamente onde queria? Para piorar as coisas, um olhar em redor não revelou a presença do meu anfitrião local. Mesmo depois de uma breve discussão para o forçar a dar algum troco à nota de 5 Eur que lhe foi entregue, convenceu-se o diabo do taxista, enquanto se repelia meia dúzia de outros que já nos queriam levar para Beirute e outras coisas do género, a deixar utilizar o seu telefone. E vá, a partir daí a coisa compôs-se. O bom do Alfrendo surgiu de entre a multidão, de braços abertos, naquela atitude generosa que, como vim a descobrir, é uma das suas genuinas características.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3661" title="middleeast04-07" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast04-07.jpg?w=500&#038;h=296" alt="" width="500" height="296" /></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Ficámos logo com as opções todas: se queriamos ir já explorar a cidade, que ficava para aquele lado, ou se era melhor fazer primeiro os 5 km na direcção oposta para deixar as mochilas? Era melhor aliviar-nos do peso. Pronto, então nesse caso, se queriamos ir de táxi, ou de carrinha partilhada? Optámos pela primeira hipótese por uma questão de volume. E em menos de nada estávamos no simpático apartamento de Alfrendo, que nos serviu logo de deliciosos bolinhos e chá. Familiarizados com as instalações partimos para a cidade, de novo de táxi, nem sei bem porquê.</p>
<p style="text-align:justify;">Alfrendo revelou-se um sensato conselheiro. Definiu em poucas frases o que seria aceitável fazer, e o que poderia chamar a atenção da polícia secreta. Andar de câmara ao ombro nos bairros afastados da zona turrística, era melhor não. Na cidade antiga, sem problemas. Mas, apesar das condições razoáveis, aquela conversa teve o condão de me retirar toda a inspiração. E isso reflecte-se no meu arquivo. Dois dias completos em Damasco geraram pouco mais de cem fotografias.</p>
<p style="text-align:justify;">Saímos do táxi à chegada à cidade antiga, onde o trânsito engrossava e não faria sentido estar a perder tempo para poupar as solas. Caminhámos por uma avenida larga, onde uma multidão de estudantes universitários cirandava. Passámos por uma praça onde Alfrendo assinalou o pequeno modelo da mesquita Hagia Sophia, ali colocado por sultão generoso, cheio de vontade de partilhar com o seu povo aquela maravilha que tanto o tinha fascinado durante a sua viagem a Istanbul.</p>
<p style="text-align:justify;">Passámos pela  longa avenida coberta onde as roupas e respectivos acessórios dominam. São cerca de quinhentos metros, de pura ebulição. De forma perpendicular existem acessos a mercados paralelos, a ruas cheias de comércio. Mas ali, onde caminhamos, sucedem-se as lojas que exibem os mais ricos produtos do Oriente, como nos habituámos a imaginar enquanto crianças. Elaborados trajos de casamentos, lenços de todas as cores e materiais, chapéus, gorros e barretes, segundo a tradição das mil e uma tribos sírias. No meio vendem-se petiscos, enquanto que por ali circulam homens servindo café e chá. A espaços existe um estabelecimento que negoceia noutros ramos. Por exemplo, a legendária gelataria que ali funciona há séculos (literalmente) e que como viemos  a descobrir no dia seguinte vende um creme de leite gelado que é uma delícia. Sem mais nada. Sem aromas ou outros aditivos. Apenas leite, que depois de transformado em gelado é servido coberto de pistachios. Por algo como 0,60 Eur.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3662" title="middleeast04-08" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast04-08.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3663" title="middleeast04-09" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast04-09.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">À saída deste &#8220;túnel&#8221; mágico encontra-se a grande <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Umayyad_Mosque" target="_blank">mesquita Umayyad</a>, um espaço impressionante, que abala pelas suas dimensões, pela beleza dos pormenores decorativos, pelo banho de cor, pela dinâmica das pessoas que atravessam os seus páteos. Por ali atarefou-se o Alfrendo, a contar-nos as pequenas histórias, partilhando algumas das suas memórias de menino. Levou-nos com a mestria de um guia encartado através das áreas abertas e dos interiores, cheios de segredos que assim nos foram revelados.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois, internámo-nos no mundo maravilhoso da cidade antiga e dos seus mercados. A fome começava a apertar, mas o verdadeiro tormento era escolher o que comer. Tudo parecia apetitoso por ali. Entre montras repletas dos afamados doces sírios, passando por lojas de croissantes acabados de cozer e recheados com os mais deliciosos cremes, até os mais tradicionais kebabs, falafels e uma espécie de pizzas muito populares por lá.  Mas atenção, que nem vos passe pela ideia em chamar-lhes assim; eles têm um nome próprio para o petisco e recusam qualquer paralelismo com as comuns pizzas ocidentais. Acabámos por nos sentar nuns bancos na rua, com um pouco daquilo tudo e foi simplesmente genial. A qualidade da comida dita de rua é algo de outro mundo.</p>
<p style="text-align:justify;">Já de estômagos confortados seguiu-se um longo passeio, no decorrer do qual fiquei com a impressão de ter percorrido cada uma das vielas da cidade antiga, por maior que esta seja. Uma ideia errada, segundo o Alfrendo, que informou com um sorriso que apesar das muitas horas a caminhar não teríamos visto mais do que 30% da cidadela.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3664" title="middleeast04-10" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast04-10.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3665" title="middleeast04-11" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast04-11.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Fez-se noite e ainda caminhávamos. Depois, veio o apagão, e acenderam-se as lamparinas a querosene, activaram-se os geradores. Foi por essa altura que nos dirigimos para o local onde tive uma das experiências mais marcantes de toda a viagem: o café do contador de histórias. E o que é isto? Bem, é o cantar do cisne de uma velha tradição, outrora comum por toda a cidade, e a que hoje apenas se pode assistir aqui. Todos os dias, entre a penúltima e a última chamada para a oração, um homem senta-se numa espécie de trono, vestido à maneira antiga, e conta histórias, que vai extraindo de um precioso livro. A sua entoação é mágica, estudada para que cada palavra seja absorvida pela audiência. Foi-me dito que em tempos, quando a arte de contar histórias era quase motivo de competição entre ilustres narradores, lutas eclodiam na plateia entre discórdias sobre a natureza de um ou outro dos personagens do conto. Em certas ocasiões, um espectador mais extasiado, espetava um valente banano no contador, quando este descrevia a vilania efectuada por um dos maus da história. Outros tempos.</p>
<p style="text-align:justify;">Havia algum receio que o lugar do contador de histórias fosse agora demasiado turístico. Não era. Pelo menos nestes tempos dificeis, quando apenas uma mão cheia de viajantes se atreve a entrar no país. Cá fora, na esplanda, ainda vimos uns quantos estrangeiros. Mas na sala repleta de fumo, apenas locais. Uns, dedicados apenas às suas bebidas e conversas. Outros, mergulhando de alma na história do dia. E há uma coisa: quando se chama para a última oração, não importa se a acção está no seu ponto mais alto, porque pára logo ali, e apenas no dia seguinte é retomada. E o contador joga com isso, de forma quase sádica, arrastando a narrativa para desespero dos atentos clientes, que o incitam a acelarar, temerosos de perder a melhor parte, invariavelmente cortada pelo cantar emanado a partir do minarete.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3666" title="middleeast04-12" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast04-12.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3667" title="middleeast04-13" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast04-13.jpg?w=500" alt=""   /><br />
<img class="alignnone size-full wp-image-3668" title="middleeast04-14" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast04-14.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3669" title="middleeast04-15" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast04-15.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Saímos quando o bom do homem, respeitando a tradição, arrumou o livro debaixo do majestoso cadeirão ao soar das primeiras palavras do chamamento. Tinhamos algumas tarefas, a cumprir numa cidade em efervescência de hora de ponta. Trocar dinheiro no mercado negro era uma delas. Uma discreta loja movimenta quantias incríveis, empregando um pequeno exército de vigilantes que são invisiveis aos nossos olhos pouco experimentados. Decorreu sem problemas, e saímos muito satisfeitos com a taxa de câmbio. Depois, comprar jantar. O Alfrendo é um maníaco da perfeição. Fez-nos andar quilómetros em busca da melhor pastelaria&#8230; e mais uns quantos para comprarmos daquelas &#8220;pizzas&#8221; de que falei, e, por fim, um esforço até atingir a sua loja de sumos favorita. Como ele diz, é cliente desde antes de ter nascido, uma vez que a sua mãe, grávida, ia ali diariamente beber um copo de sumo. E que sumo! Trouxemos uma garrafa grande de néctar de morango de Damasco, uma variante endémica que oferece um sumo divinal. Depois, vendo que éramos estrangeiros, o empregado ofereceu-nos dois copos pequenos, para consumo imediato, e deve-se ter derretido ao observar a nossa expressão de puro deleite. Vi passar dois copos de uma bebida cremosa para uma mesa colocada na rua, e perguntei do que se tratava: batido de banana com mel, coberto por natas e frutos secos. Caramba! Tenho que regressar no dia seguinte para uma dose daquelas!  O preço de tudo isto é uma coisa surreal: aqueles batidos de quase um litro custavam menos de 1 Eur!</p>
<p style="text-align:justify;">Para regressar ao apartamento apanhámos uma carrinha partilhada. Estas viaturas são a espinha dorsal do sistema de transportes públicos de Damasco, e dominar a sua utilização é uma ciência. Mas os pormenores deixo para o artigo do dia seguinte, que este já vai longo. O serão passou-se em redor da mesa, comendo, bebendo e conversando, sobre tudo, até altas horas da noite.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3670" title="middleeast04-16" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast04-16.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/papaleguas.wordpress.com/3652/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/papaleguas.wordpress.com/3652/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/papaleguas.wordpress.com/3652/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/papaleguas.wordpress.com/3652/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/papaleguas.wordpress.com/3652/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/papaleguas.wordpress.com/3652/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/papaleguas.wordpress.com/3652/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/papaleguas.wordpress.com/3652/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/papaleguas.wordpress.com/3652/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/papaleguas.wordpress.com/3652/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/papaleguas.wordpress.com/3652/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/papaleguas.wordpress.com/3652/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/papaleguas.wordpress.com/3652/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/papaleguas.wordpress.com/3652/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=papaleguas.wordpress.com&amp;blog=948934&amp;post=3652&amp;subd=papaleguas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Médio Oriente ’11 – Dia 3 – Amman, Salt</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Dec 2011 20:38:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>papaleguas</dc:creator>
				<category><![CDATA[# Médio Oriente (11/2011)]]></category>
		<category><![CDATA[Jordânia]]></category>

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		<description><![CDATA[13 de Novembro Convidámos o Raoul para passar o dia conosco, pelo menos até à hora do almoço, porque ele tinha compromissos para a parte da tarde.  A manhã iniciou-se com uma visita ao Museu Militar, localizado na Cidade Desportiva de Amman. Apanhámos um táxi, mostrei o papelito com os escritos em árabe descrevendo o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=papaleguas.wordpress.com&amp;blog=948934&amp;post=3620&amp;subd=papaleguas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">13 de Novembro</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3622" title="middleeast03-01" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast03-01.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align:justify;">Convidámos o Raoul para passar o dia conosco, pelo menos até à hora do almoço, porque ele tinha compromissos para a parte da tarde.  A manhã iniciou-se com uma visita ao Museu Militar, localizado na Cidade Desportiva de Amman. Apanhámos um táxi, mostrei o papelito com os escritos em árabe descrevendo o nosso destino e seguimos. O rapaz prestou um bom serviço, porque não é fácil de dar com aquilo, nem mesmo para ele. Mas parou, indagou, e eu, desconfiado, acabei por, em pensamento, dar os parabéns pelo seu trabalho, porque a verdade é que nos conduziu sem precalços até lá, por um valor bastante bom (não chegou aos 2 Eur).</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3623" title="middleeast03-02" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast03-02.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align:justify;">Bem, sem precalços é uma forma de dizer, apesar de não ter sido da sua responsabilidade: já dentro da Cidade Desportiva, quando ele se detém junto ao portão que dá acesso aos terrenos onde o Museu se encontra, uma cancela barra a entrada e surge uma sentinela armada até aos dentes. Caramba, o rapaz era mal encarado! Depois de ouvir a explicação do motorista, vira-se para nós: &#8220;Where are you from!?? Passport!&#8221;. O Raoul disse-me depois que pensou naquele momento que ia passar a noite nos calabouços. O militar examinou os documentos com aquela característica cara de burro a olhar para um palácio, devolveu-nos, e com ares de magnanimidade, deu-nos autorização para prosseguir.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3624" title="middleeast03-03" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast03-03.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3625" title="middleeast03-04" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast03-04.jpg?w=500" alt=""   /><br />
<img class="alignnone size-full wp-image-3626" title="middleeast03-05" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast03-05.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3627" title="middleeast03-06" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast03-06.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">O Museu é agradável. Pequeno, em termos de colecção, mas bastante interessante. E de borla. A exposição desdobra-se por uma série de vitrinas construidas numa rampa em espiral, e inicia-se com objectos relacionados com a Grande Revolta Árabe de 1917, conduzindo-nos pela história militar do país até à actualidade. Esta opção cativou-me desde logo, fazendo-me pensar numa conversa que tinha tido com o Yazed &#8211; futuro guia turístico &#8211; sobre o erro que era a Jordânia não investir na promoção da sua História enquanto país, dependendo e resumindo-se a uma série de vestígios deixados por outros em tempos remotos. Ele não concordou comigo. A mim, se fosse jordano, chateava-me, esta subserviência a outros tempos.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3628" title="middleeast03-07" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast03-07.jpg?w=500&#038;h=276" alt="" width="500" height="276" /></p>
<p style="text-align:justify;">Os primeiros expositores emocionam. Levam-nos a uma viagem no tempo, até aqueles momentos de nacionalismo romântico sublimados na história de Lawrence da Arábia, que rechearam o imaginário de crianças de tantas gerações, incluindo a minha. Depois, discretamente, passamos para a Segunda Guerra Mundial&#8230; para os conflictos Israelo-Árabes&#8230; e para os tempos modernos.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3629" title="middleeast03-08" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast03-08.jpg?w=500&#038;h=337" alt="" width="500" height="337" /></p>
<p style="text-align:justify;">Terminada a visita ao Museu havia que apanhar outro táxi para a mesma estação de autocarros, onde já tinhamos estado duas vezes. A rotina repetiu-se: da cidade até lá o preço da corrida foi justissimo, e o autocarro certo foi encontrado depois de perguntar ao motorista de aspecto mais ilustre que avistei. A caminho.</p>
<p style="text-align:justify;">Nos transportes públicos há algumas regras de comportamento que se procuram seguir: as mulheres, sempre que possível, devem evitar sentar-se ao lado de um homem desconhecido. Se não houver outra hipótese, pode ou não suceder, dependendo de quão conservadores são os intervenientes da cena. Mas o nosso bom amigo Raoul tinha lido outras indicações e isso saiu-lhe caro: em determinado momento o autocarro pára e entram duas jovens&#8230; ora ele tinha lido que as mulheres se deveriam sentar na parte traseira dos transportes públicos e nós ocupávamos precisamente o último banco. Vai dai, expeditamente, o pobre Raoul levanta-se apressadamente e muda-se para o único banco de duas pessoas que estava livre. Resultado: uma delas sentou-se ao lado de outra mulher, mas a segunda abancou-se onde o Raoul tinha acabado de se instalar. Estava armado o drama. O condutor, sem se voltar para trás, pega uma monumental descompustura no nosso amigo, que não sabia onde se havia de meter. O homem, conservador o suficiente para nos fazer ouvir o Corão recitado durante toda a viagem, fixou o nosso amigo pelo espelho retrovisor e descascou-lhe forte e feio durante longos segundos, em árabe, claro. Não houve consequências para além do momento embaraçante. O Raoul voltou para o pé de nós e seguimos viagem. revista s situação, crei que compreendo a ira despertada: para um observador, o que o Raoul fez poderá ter parecido uma tentativa de aproveitamento&#8230; &#8220;mudo-me para ali, ela tem que se sentar ao meu lado e fico-me a rir&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3630" title="middleeast03-09" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast03-09.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3631" title="middleeast03-10" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast03-10.jpg?w=500" alt=""   /><br />
<img class="alignnone size-full wp-image-3632" title="middleeast03-11" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast03-11.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3633" title="middleeast03-12" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast03-12.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">Salt é uma cidade encantadora, o local ideal para quem pretende conhecer da Jordânia mais do que Petra e o Mar Morto. Tem um pulsar natural, partilhado ocasionalmente por um ou outro turista (no autocarro vinha um casal de europeus). O que dizer mais sobre Salt&#8230; ficou-me na memória a multidão de jovens, estudantes, em movimento. O simpático mercado, com um toque de souk mas muito mais limpo e arranjado.  Os percursos organizados para os visitantes. O museu da cidade. Pronto, vamos lá a ser específicos. Quem chega de autocarro deverá encontrar a rua que sobe, direita à praça central; esta, já teve um protagonismo mais acentuado, mas é ainda, tenuamente, o local principal. Ali se vêem os velhotes, tal como em Portugal, no convívio descontraido dos reformados, à conversa ou nos seus jogos. Defronte, o excelente museu de Salt, que se aconselha como ponto de partida para uma visita mais pensada. Distribuido por três andares, está instalado numa antiga casa senhorial, com algumas salas quase vazias, mas outras bem recheadas de motivos de interesse, com especial atenção nos aspectos etnográficos. É uma bela introdução à sociedade jordana de outros tempos. Neste museu fomos reis. Únicos visitantes, sentámo-nos nos confortáveis bancos, sentindo que, não fosse abusar da hospitalidade, pderiamos apssar ali o resto da tarde, simplesmete a ler e a descansar. Depois abrimos as portas-janelas e entrámos na monumental varanda que dá para a praça central. Além de mais, este museu é uma alternativa válida a um posto de turismo: na recepção encontram-se brochuras sobre a cidade, incluindo um precioso roteiro do percurso organizado, para além de documentação sobre outros locais de interesse no país. Infelizmente chegámos até ao museu depois de termos subido até ao topo de uma das colinas (Salt tem o seu núcleo histórico no vale, tendo depois trepado pelas colinas envolventes).  Até então tinhamos achado um interesse comedido nesta cidadezinha, mas depois de nos enquadrarmos no percurso proposto a coisa mudou, e muito, para melhor.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3634" title="middleeast03-13" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast03-13.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3635" title="middleeast03-14" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast03-14.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3645" title="middleeast03-24" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast03-24.jpg?w=500" alt=""   /><br />
<img class="alignnone size-full wp-image-3646" title="middleeast03-25" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast03-25.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3647" title="middleeast03-26" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast03-26.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">Não vou descrever as dez ou doze &#8220;estações&#8221; que visitámos seguindo os cartazes estrategicamente colocados, apontando a direcção do ponto seguido a a distância. Mas foi bom! Igrejas perdidas neste mundo islâmica, casas de personagens importantes na sociedade local, antigos locais de ofícios, como  a padaria abandonada há décadas, na sequência de um terramoto. Pictoresco. Tudo muito pictoresco.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3639" title="middleeast03-18" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast03-18.jpg?w=500&#038;h=344" alt="" width="500" height="344" /></p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3636" title="middleeast03-15" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast03-15.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3637" title="middleeast03-16" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast03-16.jpg?w=500" alt=""   /><br />
<img class="alignnone size-full wp-image-3638" title="middleeast03-17" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast03-17.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3621" title="middleeast03-27" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast03-27.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">Entretanto o Raoul deixou-nos, para o seu compromisso vespertino. Já não testemunhou mais uma das manifestações de hospitalidade destas gentes, quando duas mulheres, talvez mãe e filha, vendo estrangeiros nas imediações, se empolgaram em convites para se tomar um chá em sua casa. Não pudemos aceitar, mas não pense o leitor que aqui as coisas se passam como em Marrocos, onde por regra cada convite traz consigo uma segunda intenção. Não. Aqui as pessoas convidam pelo puro prazer de agradar a quem visita, de aprender um pouco sobre o mundo, de quebrar a monotonia do seu quotidiano.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3640" title="middleeast03-19" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast03-19.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3641" title="middleeast03-20" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast03-20.jpg?w=500" alt=""   /><br />
<img class="alignnone size-full wp-image-3642" title="middleeast03-21" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast03-21.jpg?w=500" alt=""   /> <img class="alignnone size-full wp-image-3643" title="middleeast03-22" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast03-22.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;">Chegada a hora de terminar a visita, encontrámos a estação de autocarros. Perguntámos aqui e acolá onde seria a paragem para Amman e foram-nos indicando. Até que, seguindo a direcção geral que nos tinha sido apontada, questionámos o condutor de um autocarro, já cheio, que nos disse para entrarmos. De tão cheio estava, tive que me sentar no degrau da porta, pensando para os meus botões que ia ser uma rica viagem&#8230; e estava eu a matutar nisto quando desperto para o mundo real, apercebendo-me que toda a gente me diz &#8220;Amman, Amman&#8221;, fazendo sinais para eu sair. Que raio&#8230; Amman? Mas estamos em andamento há três minutos, estão a mangar comigo&#8230; ? E de repente percebo&#8230; a boa gente tinha-se limitado a dar-nos boleia até à paragem certa para o autocarro para a capital!</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-3644" title="middleeast03-23" src="http://papaleguas.files.wordpress.com/2011/12/middleeast03-23.jpg?w=500&#038;h=326" alt="" width="500" height="326" /></p>
<p style="text-align:justify;">A bordo, o novo motorista, de muito mau humor, recusa a nota que lhe estendo para pagar. O bilhete é 1 JD e eu só tenho uma nota de 20 JD&#8230; vou a correr à mochila e regresso com 5 JD. Mesmo assim é demais para o indisposto funcionário. Explico-lhe por gestos que ou é aquilo ou então as moedas&#8230; que são 20 cêntimos. Pois ele faz um gesto com a mão, como quem diz&#8230; bota ai então essa miséria de moedas e pira-te. Óptimo. Nunca me indispus com rudezas quando estas me poupam dinheiro.</p>
<p style="text-align:justify;">Ao serão, como sempre, é tempo de Limana. Só que hoje há um pequeno meeting de couchsurfers. Vai o Nael, claro. Vai o Raoul e vão dois italianos que tinham ficado com o nosso anfitrião uma semana antes, e que estão de volta, efemeramente, antes de apanharem o avião para casa. E aparece um casal de jordanos, ele trabalhando na Alemanha, ela, hospedeira da Jordan Royal Airlines. E dizem-nos que somos loucos por pensar em ir à Síria e que, já agora, acham que as fronteiras foram encerradas naquele dia. Não foram. Mandei um SMS ao meu próximo anfitrião em Damasco que se desdobrou em contactos para confirmar ou desmentir a notícia, que afinal era boato. Então é isso&#8230; no dia seguinte, Síria, com alguma ansiedade.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/papaleguas.wordpress.com/3620/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/papaleguas.wordpress.com/3620/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/papaleguas.wordpress.com/3620/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/papaleguas.wordpress.com/3620/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/papaleguas.wordpress.com/3620/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/papaleguas.wordpress.com/3620/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/papaleguas.wordpress.com/3620/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/papaleguas.wordpress.com/3620/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/papaleguas.wordpress.com/3620/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/papaleguas.wordpress.com/3620/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/papaleguas.wordpress.com/3620/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/papaleguas.wordpress.com/3620/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/papaleguas.wordpress.com/3620/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/papaleguas.wordpress.com/3620/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=papaleguas.wordpress.com&amp;blog=948934&amp;post=3620&amp;subd=papaleguas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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